domingo, 16 de setembro de 2007

Quem acredita, sempre alcança, quem acredita, sempre alcança...


Mas uma vez

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã,
Mais uma vez eu sei.
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Há esperança é a maior força do homem e a única coisa que nunca nos falta e quando nos falta, já não podemos lutar ou viver... uma vida sem esperança já se perdeu...
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Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã,
Espera que o sol já vem.

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Todas as adversidades que enfrentamos, são compativeis com as forças que temos para combaté-las, se não desistirmos, se formos fortes, sempre poderemos vencer no final, alcançar aquilo que precisamos alcançar, porque Ele não nos colocou aqui em vão nem nos falta com todo o necessário para cumprirmos nossa missão, mesmo que não entendamos isso.
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Tem gente que está do mesmo lado que você,
mas deveria estar dolado de lá.
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Quando foi que os homens se tornaram não confiáveis? Como perdemos essa dádiva da confiança e assim, todos os alidos da vida, nosso próximo, nosso semelhante, nos quais agora não podemos mais confiar, correndo o risco de sermos atacados, traídos por eles?
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Tem gente que machuca os outros,
Tem gente que não sabe amar,
Tem gente enganando agente,
Veja nossa vida como está.
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Por quê? Por quê? Essas são verdades crueis de se aceitar. Porque os homens não enxergam que a única coisa que importa é amar, que é ilógico, contrário à nossa real natureza, machucar um igual? Que nossa beleza está no coletivo?
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Mas eu sei que um dia agente aprende!
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A mais forte das esperanças!
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Se você quiser alguém em quem confiar,
Confie em si mesmo!
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Seja sua própria fortaleza, seja sua força, confie! Acredite em si, seja você, é tudo que podes ser.
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Quem acredita sempre alcança!
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Acredite.
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Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei.
Escuridão já vi pior,
De endoidecer gente sã,
Espera que o sol já vem.
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Sempre há o amanhã para vencermos o que ainda não foi possível hoje.
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Nunca deixe que lhe digam
que não vale a pena
acreditar num sonho que se tem,
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Você é do tamanho dos seus sonhos, você é tão forte quão incríveis forem teus sonhos e sem eles nunca poderás evoluir, nunca poderás ser verdadeiramente você ou ser feliz. Ninguém pode tirar isso de nós, nossos sonhos.
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Ou que seus planos nunca vão dar certo,
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Lute, continue lutando, quando acreditamos, podemos realizar qualquer coisa! Tudo pode dar certo.
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Ou que você nunca vai ser alguém!
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Você é alguém, você é você! Isso é a maior e mais incrível verdade existente e isso é só o começo de todo o imenso potencial de cada um.
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Tem gente que machuca os outros,
Tem gente que não sabe amar,
Mas eu sei que um dia a gente aprende.
Se você quiser alguém em quem confiar,
Confie em si mesmo.
Quem acredita sempre alcança...
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Eu acredito. Você acredita? Vamos lutar juntos que a jornada é longa...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Olhos de quem não quer ver, boca que não aprendeu a falar, ouvidos incapazes de escutar... mãos? nada fazem para mudar!

Carta à Juventude...


A juventude está enterrada sob a avalanche de influências, chamarizes e os pisca-pisca dos letreiros luminosos das lojas. São tantas luzes, tantos anúncios, propagandas, imagens, sons, etiquetas e preços, tudo pedindo, digo, exigindo a atenção dos olhos juvenis, palpitantes e inquietos.
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Essa mortalha que os envolvem escurece a percepção da realidade, do entendimento do que realmente acontece além dos limites do “shopping” – o mundo limitado da juventude.
Quando os olhos abertos apenas conseguem perceber os estímulos escuros, quando tudo é escuridão, podemos ousar dizer que eles realmente estejam abertos? Uma simples ilusão que esconde os “olhos fechados” dessas mentes inocentes.
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A prática do pensamento, do raciocínio lógico e crítico, é agora algo esquecido, relegado aos antepassados, cuja juventude sabia o significado de palavras como “luta”, “coragem” e “justiça”. Nossa juventude trocou o “p” de pensamento pelo “p” de posse. Não são os cidadãos “democraticamente” eleitos que governam os países em nosso mundo capitalista, são os pronomes possessivos. Por trás de praticamente qualquer ação política, ‘pública’ ou privada existe um pronome possessivo por trás, respaldando o ato – existe sempre um “meu interesse”, “meu benefício”, “meu lucro”, “minha carreira”, “meu bem-estar”, “seu lucro também, se você seguir os meus interesses”... e por ai vai, estando os destinos de todos nas mãos desses pronomes. Mas não são todos os pronomes possessivos, apenas os relacionados às pessoas do singular, elites gramaticais - ‘Meu’, ‘teu’ e ‘seu’. Os - ‘Nosso’, ‘vosso’, ‘deles’ – são a periferia, a classe baixa e marginal. Nenhum filhinho de papai que se respeite usaria pronomes de quinta categoria como esses a menos que seja em uma frase como “prendam eles!”.
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Dinheiro. Dinheironismo? Os shoppings são o templo de peregrinação sextal, sabadal e dominical, recebendo nos fins de semana - período sagrado, guardado o ritual do consumo exacerbado e despreocupado – todo tipo de jovem. A maioria está ali para procurar no convívio com o grupo (outros jovens com a mesma busca que todos) um bálsamo para suas vidas sem sentido. Qual o sentido da vida? Por que estamos aqui? Apesar de nunca fazerem essa pergunta filosófica, os jovens são aqueles que nos parecem mais ansiosos por estas respostas, perdidos, soterrados num mundo brilhante, barulhento, etiquetado e sem sentido.
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Na escola nos ensinam a calcular traços vazios, cruzes somatórias, igualdades inúteis. Aprendemos a decorar fórmulas para descobrir qualquer constante física, o formato estrutural da molécula de qualquer substância química, as características de todos os filos, classes e gêneros dos cinco reinos da natureza. Ninguém está preocupado em ensinar a somar esforços, subtrair desigualdades, dividir o pão e multiplicar a alegria, nem em nos mostrar a constante da justiça, ou nos fazer entender e questionar a estrutura da sociedade estratificada, hierárquica em que vivemos, também não querem fazer os jovens racionalizar o sentido de haverem classes e ‘reinos’ que habitam o primeiro, segundo, terceiro mundo e outros mais, frutos da crueldade humana.
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A juventude que cresceu acostumada a assistir televisão, diferente das antigas gerações que iam brincar de bola na rua ou de boneca na pracinha, está agora a ser expectador, mesmo quando a tela a sua frente não é a da tevê, mas de seus próprios olhos.
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Uma juventude assombrada pelo fantasma do Mercado de Trabalho, que é realmente um fantasma, já que o emprego morre a cada dia, perdendo espaço para as frias máquinas, eficiência desumana, e pelo monstro da violência, essa criatura que se esconde nos olhos tristes do mendigo ou do conformado flanelinha.
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Quando eu olho para meus companheiros de geração, esses futuros homens e mulheres que, junto comigo carregam o título de juventude, só posso ficar desesperado com a discrepância entre o percentual de cabeças pensantes e pseudocabeças, meros suportes para acessórios de grife, bonés, óculos, jóias e piercings (marcas dessa juventude). Só posso ficar indignado, injuriado com os buracos negros que existem sob esses cabelos artificiais de tinturas e penteados, sugando todo o lixo industrial e comercial, puxando até a luz das coisas e forçando-as à escuridão.
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Juventude nossa, minha, de todos, acorde para a vida. A vida não vai esperar passar o próximo seriado americano, ou estréia de hollywood ou novela global. A vida vai passar enquanto estais, estamos, inertes.
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Boa sorte, juventude. Por que com as coisas do jeito que estão, indiferentes, só muita sorte para que os poucos conscientes e lutadores consigam vencer a acomodação geral e desempenhar o papel para o qual existem, revolucionar o mundo, transgredir o habitual e opressor, inovar, na chama de um ideal: Igualdade, Fraternidade, Liberdade. Incendiar as fundações da injustiça e reerguer a humanidade da lama social em que se encontra, cheia de fome, guerra, morte.
Boa Sorte.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Sem os peixinhos, os tubarões morreriam de fome...



Bertolt Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
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Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guelra dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
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Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosa, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
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Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelras seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelras dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelras dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
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Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos veleriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
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Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência...

Um dia nada disso será seu, a menos que você perceba que já é seu e pegue de volta!


Gostarias de um dia ter que dizer isto a um filho seu? Gostarias de saber que seu filho nada tem e não tem como viver dignamente? Os pais da classe média e alta nunca terão que dizer isto a um filho, seu clone mimado e programado a perpetuar o sistema, mas saiba que esta é a realidade de 2 terços da humanidade que vive na miséria!
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A humanidade possui cerca de 6 bilhões de indivíduos. 2 terços da humanidade é vítima da pobreza em diferentes graus. Faça as contas e perceba esta matemática do diabo, a lógica perversa do capital.

Se eles soubessem, lutariam... Sacou?! Grite! A Verdade não pode mais ser manipulada, não pode nos ser negada!

O Capitalismo é um regime de exploração, os salários mínimos são sistemas de exploração, escravaturas disfarçadas, a propriedade privada é um instrumento da exploração, um roubo, um genocídio, uma injustiça.
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Quem permitiu que o primeiro homem dissesse que um pedaço de terra fosse dele? Quem deu para ele? De quem ele comprou? Que direito é esse de um homem possuir algo que na natureza é comum, é de todos?
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A propriedade privada foi uma imposição de injustos, gananciosos, infames homens, demônios algozes de outros homens. E aprendemos em casa e na escola, desde que nascemos, que isto é natural, que isto é comum, que isto é justo. Por quê? É justo que alguém que nasceu sem nada, morra sem nada e tenha morrido justamente porque não tinha nada, enquanto alguém que já nasceu com tudo, continue querendo ainda mais e não meça esforços para conseguir mais e mais, roubando, extirpando, matando e fortalecendo seu sistema de dominação? Que justiça é essa?!
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O Criador pode diferenciar-nos quanto aos dons que recebemos, nossas virtudes, que variam de um para outro, mas não quanto às nossas oportunidades, nossas condições de vida. Essas diferenças foram criações humanas. Não é uma luta do mais fraco contra o mais forte. Porque, o que determina quem é mais fraco ou forte? O dinheiro. É o sistema que coloca alguns no pódio de mais forte e outros no pódio de mais fraco, de acordo com suas posses. Nossos dons foram reduzidos a nossos pertences, e nossas virtudes completamente suprimidas por nossas contas bancárias. É algo imposto, arbitrário, injusto, inaceitável.
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Vive-se num pseudo-mundo, uma realidade de fachada, onde nos fazem acreditar que esta é a lei irrevogável da convivência humana: 'tenho, logo, existo'. Afinal, esta "lei" é a máxima do capitalismo, pois todas as ações são consideradas baseado em quem tem e quanto tem. As populações humanas desprovidas de posses são simplesmente ignoradas ou obleteradas, quando tentam obstruir a "ordem estabelecida".
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Como eles fazem isso? Com uma lavagem cerebral histórica, que nos acompanha desde o berço. Mesmo que no Capitalismo, os que não "tem" sejam maioria, eles são desagregados e colocados uns contra os outros, são afastados e levados a se confrontarem ou simplesmente se ignorarem. São levados a acreditar que precisam lutar, não para combater este sistema, mas para conseguir entrar nele, para entrar na classe dos que "tem", através dos maiores sacrifícos que mesmo assim, não permitem à grande maioria se incluir na "sociedade capitalista" e que garantem ainda mais riquezas para os ricos, pois eles se sacrificam trabalhando mais e se submetendo à maiores explorações.
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Desprogramar! Acordar! Levantar! Unir! Lutar! Revolucionar! Insurreição popular!
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Ser você mesmo é o maior eu que você sabe ser

(Teu eu eterno e livre e jamais sozinho...)


Seja você

Quando se está sozinho, você está porque você o quer.
Ninguém pode deixá-lo sozinho, podem ir todos embora,
Mas só se você quiser, a solidão pode invadi-lo,
Porque o maior presente que Ele te deu
Não foram bens materiais, nem paisagens, nem oportunidades,
Foi você.

É você que lhe foi dado, você é seu presente,
Você é tudo, é sua liberdade, sua prisão,
Sua humanidade, sua solidão.
Ninguém pode roubar-lhe isso,
Pois és imortal, apesar da matéria.
Podem até roubar-nos a vida, mas ela sempre volta,
Como um melhor amigo, um amigo fiel.

É parte de nós, é esta força.

Nunca estaremos sós, pois somos nossos irmãos.
Eu sei, você sabe, basta acreditar.
Esta alma divisível em mil partes, e ainda infinita.
É o amor.
Quanto mais se reparte, mais se multiplica, disse um sábio uma vez,
E assim, sejamos, sejamos, sejamos, sejamos... todos.
Somos Um, somos eu, você e amor. Isso é tudo que importa.

Grande, fraco, pequeno, forte, capaz, temeroso. Conceitos,
Nada mais. A verdade é que sabemos a verdade, e não há outra.
Sabemos que isto é enganoso. Mas nos deixamos levar, quando nos esquecemos
Deste presente, quando nos esquecemos de nós.

Foi então que Ele nos deu outro presente, a esperança.
Que mesmo em nosso esquecimento, nos mantêm firmes, até que recordemos
Quem somos. Pode levar vidas, mas temos todas.
Temos tudo, tudo que é preciso.
Pois temos a nós mesmos.
Seja você, apesar de tudo.
E sendo você, mostre aos esquecidos o que é possível,
Lute por eles, lute pelas suas lembranças,
Não seja você sozinho, lute por eles, e estará lutando por você.
Eles são você, antes de você se lembrar.
Veja-se nestes rostos, e ajude-se.
Seja você.

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Não se esqueça dos outros assim como não se esqueça de ti mesmo.

"Amai ao próximo como a ti mesmo" - não um mandamento, uma ordem, mas uma verdade humana, uma necessidade, a verdadeira maneira de viver.

Porque amar ao próximo completa o teu amor por ti assim como amar-se permite que ames a outrem. E o amor é o caminho divino que leva a todos os recantos do universo exterior, a realidade, e os universos interiores que existem dentro de cada ser humano e criatura da natureza. Ame... é o único conselho que cada um de nós precisa, e o escutamos todos os dias codificado no cantar dos pássaros ou no desabrochar das flores. Mas não percebemos... pois "o essencial é invisível aos olhos" (Saint-Exupéry)... também só com amor podemos vencer as nossas limitações sensoriais para reconhecermos o essencial... o próprio amor.

"Eu sou, você é,
e amar é tudo o que importa"

Richard Bach

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cercas de arame farpado dilaceram os corações egoístas... -

(Ao invés de nos dar as mãos, levantamos cercas...)
Farpas

Entre tantas riquezas que brotam de nosso chão,
Tanta fartura e vida de nossa imponente nação,
Não há justiça para os nascidos,
Filhos da mesma terra,
Há fome, há miséria, há cercas de palitos
E a morte que no final os enterra...

Um país continental, maior dentre a maioria do mundo,
Com terra a perder de vista e ainda mais um pedaço,
Mas cheia de pobres cansados, desgraçados moribundos
Oprimidos pela mesma terra, que lhes é negada - o cangaço,
O sertão, o cerrado, as pradarias, os vales profundos...

Nada lhes pertence, já está tudo cercado.
São coronéis, herdeiros dos engenhos
Os mandatários de todo o arado
E das gotas de suor que lhes encharcam o cenho...

Uma farpada nação de latifúndios
Sanguinolenta história de magreza cruel,
De um povo que roga para que no céu
Encontre o que faltou neste lugar arredio.

Morte e Vida Severina "Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida: iguais porque o sangue que usamos tem pouca tinta..."


Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
- É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.

- Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.

- É uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.

Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
- Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
- Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
- Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
Serás semente, adubo, colheita.
- Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
- Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.

- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo)
- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
- Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
- Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos)
- Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).

- Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.
- Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.
- Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.
- Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.
- Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.
- Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.

- Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.
- De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito à viração.
- Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
- E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
- Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
- Se abre o chão e te envolve,
como mulher com que se dorme.

(Trecho de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.)

--//--

Só a cova aguarda o nordestino, só a morte lhe estende a mão. Fora o suor que ele derrama no sertão, nada mais lhe cabe, nada lhe é próprio, nem onde pisa, seu rachado chão. É uma terra tão grande nas mãos de tão poucos. E pelo direito à propriedade privada, assassinam-se milhares de pessoas pela privação...

Que a terra um dia seja de todos, pois ninguém pode se dizer dono da natureza, do natural.
A propriedade privada é um crime à humanidade e maldito foi o homem que criou a cerca.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Porque cantamos? Porque nossos corações batem como tambores agitados, nossas veias vibram como cordas de violinos e os pulmões reverberam sua força...


Porque Cantamos


Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos

se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha

você perguntará por que cantamos

se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro

você perguntará por que cantamos

cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos

cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota

cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta

cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas.

Mário Benedetti - Antologia Poética - “só quando transgrido alguma ordem o futuro se torna respirável”.


--//--


Somos militantes desta vida e não podemos deixar que nossa canção se torne cinzas! Porque a luta é acorde, em nosso peito, da harmônica melodia da justiça...
Cantamos porque cremos nessa gente, em nós mesmos! E nossas lutas de tantas derrotas nos prometem a maior vitória!

Se esta rua fosse minha, minha não seria, seria de todo homem, meu irmão.

(Havana, Cuba)

Se esta rua fosse minha

Se esta rua fosse minha
Para mim eu construiria
Uma agradável moradia
Para dormir no fim do dia.

Mas se alguém mais não tivesse
Um teto para lhe cobrir,
Eu diria que viesse
Na minha casa poderia dormir.

Se à outros tantos faltasse
Uma cama para repousar,
Logo os faria chamar
Para que na rua ninguém ficasse.

Até que um dia um cavalheiro diria
- A todos queres acolher?
Não vês que nem Deus, Vossa Senhoria
Pôde todos socorrer?

Chamaria a mim de idealista
E um grande tolo, sonhador,
Que por mais que eu insista,
Onde tanto pobre iria pôr?

Então lhe disse que nunca iria
Fechar a porta para um irmão,
Tão grande ser a minha casa poderia
Quão grande fosse meu coração!

Continuei dizendo que o país
Realmente só progride
Quando alguém do seu divide,
Ao invés de olhar o próprio nariz!

Quando a solidariedade
For hino em toda parte
E com quem precisa divide-se o pão,
Para quem desiste, estende-se a mão.

Prefiro ser um idealista
Do que um rico egoísta,
Pois o bem da humanidade
Não se constrói com desumanidade.

Não é o egoísmo do mais rico,
Nem a ignorância do excluído,
Tampouco a fraqueza do oprimido
Ou a ganância do político,

Que guiará os homens do mundo
Para um futuro deveras justo,
Onde ninguém durma na rua ou passe fome
E poderá se dizer bom este novo homem.
--//--
Ciranda ideal...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Eco







Eco

Você faz o que eles dizem.
Já está tudo programado –
Membros, corpo, eucalipto,
Microprocessador controlado.

Faça, coma, vista, compre!
O horário precisa ser seguido.
Que fazer? Você já sabe,
É só ouvir o seu amigo,
- A Globo sabe do que você precisa.

Programação de vida, você consegue!
A droga lhe sustenta e entorpece...
Isso é um vício que você esquece,
Só aperta o botão que ela aparece
- A Globo sabe do que você precisa.

Ver, ver, ver...
Antigamente se liam livros,
Mas não passam na televisão.
Eles não anunciavam, nem eram vivos
Como é um filme de ação!
- A Globo sabe do que você precisa,
Você não!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Liberdade, Fraternidade, Igualdade! Sem um desses pilares, desabamos na desumanidade...

(Na bandeira diz - Liberdade, ainda que tardia!)

"Nós que, pelo império das circunstâncias, dirigimos a revolução, não somos donos da verdade, menos ainda de toda a sapiência do mundo. Temos que aprender todos os dias. No dia em que deixarmos de aprender, que acreditarmos saber tudo ou que tivermos perdido nossa capacidade de contato ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que teremos deixado de ser revolucionários e, então, o melhor que vocês poderiam fazer seria jogar-nos fora..."


(Che Guevara)


Revolucionar é aprender, é crescer, é compartilhar, é mudar!

Em um mundo em que isso é suprimido por regras, etiquetas, deveres e leis, impostas por domínios absolutos, opressores, exploradores, é preciso grande força para resgatar tais valores - aprendizado, crescimento, troca, mudança...


Viva a relovução!

Piscou? Uma alma acabou de ser levada embora... Por quê? Porque o homem não se importa...


A Hora

A hora cortante rasga o ímpeto vital,
E as asas negras surgem de repente
Roubando do corpo o suspiro final,
Último pulsar que o coração pressente.

Pelo relógio infernal morrem-se nas horas
Tantas vidas perdidas e descontentes,
Tragadas pela treva, engolid´aurora
Dos injustiçados, esquecidos e doentes.

O anjo negro lança sobre a terra
Inda de dia, a escuridão funérea,
Adaga mortífera ao peito a morte encerra,
Golpe final para os filhos da miséria.

Nas horas sepulcrais esta asa impera
Sobrevoando os corpos desumanos.
Anjos apocalípticos são homens tiranos:
Anjos da Morte, Fome, Peste e Guerra.

Lutemos para vencer a ganância, o ódio e a prepotência!


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar a todos, se possível: judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio. Por que temos de odiar e desprezar uns aos outros. Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessa aproximação é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante, a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo a fora. Milhões de desesperados, homens e mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que oprime seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir, eu digo: “Não desespereis!” A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbirão e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, mesmo que morram homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses homens violentos... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar ao mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação racionada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquinas.

Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossa alma! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar.... os que não se fazem amar e os desumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décima sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou de um grupo de homens, mas de todos os homens! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa! Portanto – em nome da democracia -, usemos esse poder, unamo-nos todos nós! Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure um ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo?! Onde te encontres, levanta os olhos! Vês Hannah?! O sol vai rompendo as nuvens, que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da violência. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas , afinal, começa a voar. Voar para o arco íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!


(Discurso célebre de Charles Chaplin em O Grande Ditador) Que nos lembra que não podemos desistir de nossa luta por "um mundo bom, uma vida livre e bela"

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Navio Negreiro - "Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar..." - Castro Alves


Latrina Humana! O Sistema Penal é uma fábrica de injustiças!
Justiça?!


Que justiça é essa?
Que conceito de justiça é esse que considera mandar uma pessoa para uma latrina cheia de grandes para torná-lo alguém melhor?

A cadeia só serve para esconder de nossos olhos essas injustiças, essa desigualdade social, esse buraco negro que rouba da população carente qualquer esperança, oprimindo-a, exaurindo-a, permitindo assim que os carros trafeguem sem serem importunados por pedintes ou flanelinhas.

16 anos? Muitos desses algozes que defendem a redução da maioridade penal bem gostariam que ela fosse de 16 semanas! “Desmamou, cadeia neles!” – como disse Cesar Cardoso, em seu texto “Carta a Deus” - Porque essa gente, cuja justiça só enquadra o bem-estar deles, quer condenar os filhos e filhas dos pobres, assim como seus pais já estão condenados. Filho de pobre, por certo, nessa lógica, só tem um destino, imposto por esta sociedade excludente, ser criminoso. Não há outra perspectiva de vida, nenhuma alternativa digna e honesta é fornecida pelo mundo que os cercam. Melhor que preventivamente ele vá logo para a cadeia...

“Nada justifica, nem a pobreza nem a injustiça, nem tudo o que eles sofrem, sem nenhum amparo social, nada justifica o ato de tirar uma vida ou qualquer outro crime hediondo” Eles esbravejam contra os miseráveis dos camburões. Mas eu me pergunto como quem nunca teve sua vida respeitada, valorizada, dignificada, como poderá respeitar qualquer vida? A vida não vale nada para os outros e para a ele, a vida dos outros tão pouco vale alguma coisa. A hipocrisia burguesa é realmente ridícula, esperar que o escravo (moderno), depois de ser açoitado (através de impostos, miséria, fome e violência) a vida inteira por ele, rico cidadão, vai ter compaixão quando tiver a oportunidade de tirar desta sociedade sectária o que nunca recebeu.

A prisão é uma lixeira onde os dominantes jogam o refugo de sua ganância, homens e mulheres - e se depender deles, crianças e adolescentes também - explorados por eles até a última gota de sangue e depois retirada de seus olhos.

Prisões não, navios negreiros. Navios atolados na imundice, na crueldade, na desumanidade, na bestialidade do homem.

Uma sociedade deturpada, preconceituosa, opressora, exploratória, injusta e desigual, cruel e canibal (pois engole impiedosamente todos os seus filhos humildes e joga-os na fogueira da exclusão), desumana e capitalista, não poderá nunca gerar um mundo ideal para todos.

Uma sociedade como esta, um mundo como este, precisam ser reiniciados, refeitos, reconstruídos do zero. Uma revolução é necessária. Só assim, poderemos enfrentar este mal que nos destrói – o egoísmo generalizado, incrustado em todos os aspectos da vida moderna.

Revolucionar!


(O sistema penitenciário do Brasil é um dos 10 maiores do mundo. São 301,8 mil presos, com os quais gasta-se em média R$ 252,8 milhões por MÊS! E ainda, há um déficit de 100 mil vagas, havendo 80 mil que não cabem no sistema, estando confinados em delegacias superlotadas! Isto de acordo com uma reportagem do Correio Braziliense 08/2003, ou seja, atualmente esses números devem ser muito superiores.
http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20030830/pri_bra_300803_127.htm)