segunda-feira, 25 de junho de 2007

Fugindo da vida em cápsulas de loucura...


De comprimido


Em vida de doentes alegrias,
Estupor agudo, tétrica euforia,
Felizes pílulas, sangue azul marinho,
Vive o moderno homem, assim sozinho.

Depressão, de comprimido, compressão
Da felicidade em caixas e seringas,
Licores farmacêuticos, ilusão,
Fugas, enganos, cemitérios...

Na super fartura, sua alma míngua,
Fogem-lhe sentidos e essência,
Esvaziaram-se sentidos e mistérios;

Rodeiam a mente na dependência
Ácida, virtual e estas perdido entre
A lucidez e a loucura. Sem paciência!

'Os antidepressivos não durarão para sempre.'

"Seus dias de fartura estão contados" - "Você tem dinheiro demais"


Edukators

"Atinja um, eduque cem.
A noticia corre.
Outros podem nos imitar. Somos só o pavio.
Achamos mais original ter uma causa...Mudar o mundo.
Vivemos numa ditadura do capital.
O primeiro mundo devia perdoar a dívida do terceiro mundo. É só 0,01% do nosso PIB! (países ricos)
-Vocês (os ricos) os querem pobres! Para poder controlá-los. Forçá-los a vender seus produtos a preços ridículos. É a regra básica do sistema: Exaurir todos até o limite, pra que não possam reagir.
Acha que as pessoas são felizes Hardemberg? (um dos personagens - um rico empresário)
Ei, abra os olhos, saia do seu carro e ande pelas ruas! Elas parecem felizes ou animais assustados?
Veja suas salas de estar.Todas grudadas na tv ouvindo zumbis chiques falarem sobre uma felicidade perdida.
Dirija pela cidade.Verá a imundice, a superpopulação, as massas feito robôs nas escadas rolantes das lojas de departamentos.
Ninguém conhece ninguém.
Acham que a felicidade está ao alcance, mas ela é inalcançável.
Somos só os precursores. Enquanto você surfa na tecnologia, outros sentem ódio.
Como as crianças das favelas vendo filme de ação americanos.

É só o começo. Haverá mais. Mais casos de insanidade. Serial killers, almas destruídas, violência gratuitas. Não podem sedar todo mundo com game shows e shopings. E os antidepressivos não vão funcionar para sempre.
O povo está cansado da Merda do seu sistema (Capitalismo).
- não importa quem inventou a arma e sim quem puxa o gatilho."
-//- trecho do filme - Edukators. Um excelente filme alemão. Excelente! Traz ideais, ações, luta, coragem...
Assista e seja...
"Todo coração é uma célula revolucionária"
Porém estão todos entorpecidos, exauridos, desesperançados, desiludidos, alienados, escurecidos, enganados, cegos, indiferentes, egoistas...
Aos poucos os excluídos acordarão, os inconscientes perceberão o absurdo desta sociedade, os homens reaprenderam a ser unir e a cuidar uns dos outros... ou... PADECERÃO.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Beco... lugares esquecidos onde esquecemos os excluídos...


Beco

Mínimo, menino, medo.
Mísero, subjugado por ele.
Traído até pelo espelho
Que lhe oprime e lhe dá sede.
Pobre e abandonado.
Mínimo respeito.
O menino é forçado
A esconder-se no beco.
Preso, sozinho, assustado,
Na penumbra isolado.
Violência, indigno destino
Oprimem-lhe rumo ao beco.
Sedento no canto remoto,
Por carinho e contentamento,
Só o que deseja o menino
É nunca ter nascido.
Até sonha com conhecimento,
Reconhecimento e algo mais,
E a escuridão
Seus anseios desfaz.
Tornaram-no mínimo
Este menino,
Oprimido pelo desrespeito
Do beco.


--//--


A grande desolação me invade, um sentimento de revolta e miserável tristeza pelas pobres crianças que são 'descartadas' e forçadas a viverem a opressão da exclusão, a violência de suas condições, a destruidora atmosfera humana que os cercam... Manifesto-me por todos os pequenos esquecidos por todos, que, abandonados, refugiam-se nos becos escuros da vida, fugindo das gárgulas sociais que os castigam, que exploram suas infâncias, rasgando-lhes os corpos famintos e desabrigados, as mentes perdidas e tristes, os espíritos dilacerados...E os homens? Seres arrogantes, desprezando os portadores do futuro da humanidade, seguem desumanos e impassíveis, sem 'repintar' este quadro...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

É preciso força para quebrar as correntes da alienação, da indiferença, do egoísmo... Esperança é salvação!


“Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição”
(Legião Urbana)

Quando querem transformar

A dignidade dos homens no nosso mundo deve ser curvar ao lucro de uns poucos, ao neoliberalismo, que é um projeto de economia onde é cada um por si, salve-se quem poder pagar, à desigualdade, onde os 10% mais ricos tem muito mais que todo o restante junto, ao egoísmo, onde ninguém mais importa além de si mesmo, à corrupção, onde o dinheiro suado do povo é roubado, à injustiça, onde os menos favorecidos são esmagados, à covardia dos dominantes, que se escondem atrás da ‘polícia’, seu exército pessoal! Hoje ter dignidade é uma doença. É melhor pisar o seu irmão e ganhar algum dinheiro. É melhor roubar o seu irmão e sobreviver de maneira indigna. É melhor matar o seu irmão e ser famoso.
Quando não aceitamos essa situação e protestamos contra nosso irmão que é indigno do ar que respira, do sangue humano que corre em suas veias, pois ele pisou, roubou e matou um outro irmão; quando raciocinamos e percebemos que tudo isso está errado, somos chamados de traidores. Traidores do capital? Traidores do lucro? Quem se curva perante essa realidade é verdadeiramente um traidor da humanidade.
Assim, esses traidores divulgam em todas as freqüências, em todos os canais (afinal eles são donos de todos), em todas as línguas e em todos as nações, valores e conceitos e histórias e novelas e gostos e modas e anúncios e propagandas e ambições e indiferenças! As cabeças vazias, as mentes inertes, os espíritos influenciáveis são todos amestrados e vão construindo uma sociedade de fachada, controlada pelos traidores.
Se alguém ousar querer mudar, interferir no sistema, inverter as ordens, converter os homens-robôs em seres humanos, os “buracos-negros ambulantes” em verdadeiras mentes pensantes e críticas, logo uma avalanche de obstáculos aparecerão, uma tempestade de absurdos tentarão detê-lo, uma onda de atacantes se interporá entre ele e seu objetivo. Até convencê-lo de que ter essa esperança de mudar o mundo é uma maldição.
Quase conseguiram e quase todo mundo acredita que ter esperança é uma maldição, ser estúpido é a melhor recompensa, que ter inteligência é uma grande traição e não querem pegar essa doença chamada dignidade. Mas algum dia isso vai mudar e todos vão acordar... Porque ter Esperança é a salvação!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Os verdadeiros filhos nunca fogem da mãe que acalenta...


Emigração cubana – Grande farsa da mídia direitista!



Alguns, em suas críticas ao socialismo, questionam o porquê de tantos filhos da soberana nação cubana fugirem do país, se supostamente o regime socialista é tão ‘justo e benfeitor’ (e eles fazem questão de acentuar o tom irônico). Afirmam que naquela ilha só há miséria e que todos os cubanos tentam fugir desesperadamente. Porém, esses mesmos críticos inconseqüentes, não sabem que o nosso Brasil, um país genuinamente capitalista, seguidor fiel de todas as determinações e imposições do FMI, do BIRD, de Washington, para ser mais direto, vê todos os anos mais de 100 mil brasileiros buscarem melhores condições de vida no exterior, se amontoando em todas as partes do mundo, inclusive nos EUA. Número superior a 2 milhões de nossos conterrâneos procuram melhores chances fora daqui (dados retirados do site Guiadoimigrante - http://www.guiadoimigrante.com/artigo.php?idPublicacao=3390)
No entanto, eles se esquecem que o Cuba é um país pequeno, que não dispõe de todos os recursos naturais de que precisa, pelo contrário, alguns vitais são demasiadamente escassos, como é o caso do petróleo. Esquecem também que a ilha tropical, antes da revolução não era nada mais do que um quintal americano, onde os magnatas e gângsteres yankes iam passar as férias, freqüentando cassinos e bordéis, enquanto a população morria de fome e pobreza nos subúrbios. Já o Brasil, a décima primeira economia do mundo, um país fartamente suprido de toda e qualquer necessidade natural, inclusive a tão largamente divulgada auto-suficiência petrolífera, possui uma imensa massa de pobres, miseráveis e desejosos de fugirem daqui, este país ingrato para com seus próprios filhos.
Os críticos de Cuba não se importam com esses fatos e tampouco abrem a boca para falar a respeito ou mobilizarem-se contra. O importante é seguir a canção entoada pela mídia e por aqueles de direita, que desde a Guerra-Fria, vem sendo amestrados pelos americanos.
Não sabem também o grande estímulo que os EUA dão (como parte de sua política ofensiva contra Cuba) para que haja a imigração de cubanos para o país.

“Após o 1º de janeiro de 1959, a política migratória dos Estados Unidos passou a estimular a emigração ilegal de Cuba com destino a esse país, convertendo-se assim em um importante instrumento de sua política hostil contra Cuba. A partir desse momento, as autoridades norte-americanas deram um tratamento preferencial aos imigrantes cubanos. Todos os cubanos que chegam a território dos Estados Unidos recebem o status de “refugiados”.
No final 1962 (...) o presidente Kennedy assinara a Lei Pública 85-510, conhecida como “Ata de Assistência à Migração e Refugiados do Hemisfério Ocidental”. Através dessa Lei foram criadas condições financeiras especiais para apoiar os emigrantes cubanos, para o que o governo norte-americano destinou, apenas para o Programa de refugiados cubanos, mais de 1 bilhão de dólares.
O tratamento preferencial outorgado aos cidadãos cubanos e que os distingue até hoje dos demais estrangeiros que chegam aos EUA adquiriu seu embasamento legal em 2 de novembro de 1966, data em que o presidente Johnson firma a “Lei de Ajuste Cubano”, que estabelece que “qualquer estrangeiro nativo (de Cuba) ou cidadão cubano que tenha sido inspecionado e admitido ou posto sob palavra nos Estados Unidos depois de primeiro de janeiro de 1959 e que tenha estado presente fisicamente, pelo menos durante dois anos, pode ser ajustado pelo Promotor Geral, à discrição (ad libitum) e em conformidade com as regulamentações que possam prescrever à relacionada com estrangeiro admitido legalmente para residir permanentemente...””. (Texto tirado de um boletim especial divulgado pela embaixada de Cuba no Brasil, em 08/10/2004)


Ou seja, um cubano que vai para os Estados Unidos é recebido com honras, recebe apoio financeiro e após um ano é considerado cidadão americano. Imagine se houvesse esses mesmos privilégios para a vinda de brasileiros? Milhões sairiam do país poucos meses. Mas os cubanos não. A maioria daqueles que fogem são os dissidentes, capitalistas egoístas que não suportam verem seus privilégios diminuídos ou não querem trabalhar para o bem comum, esperando reverter todo o seu trabalho em benefício próprio.
Cuba é um país com a melhor medicina social do mundo, tecnologia médica equivalente ou superior a muitos países ricos que dispõem de verbas astronomicamente maiores do que as cubanas; é um país que erradicou o analfabetismo em apenas um ano e que não tem nenhum de seus cidadãos morando nas ruas, nem em habitações precárias, como as favelas brasileiras e de outros países, inclusive os desenvolvidos.
Isso tudo sofrendo da hostilidade da maior economia do globo, que usa todos os meios inescrupulosos para intimidar e coibir o comércio e a interação mundial com a ilha. Os EUA, que detêm incríveis poderes sobre inúmeras nações, através do abominável domínio que se faz através do FMI e do Banco Mundial, que escravizam tantos países, afundando-os em dívidas inesgotáveis.
Onde outra nação do mundo conseguiu tais feitos? Mais difícil do que encontrar um regime socialista “bem-sucedido” é encontrar um argumento para esta pergunta.

Hoje, para não sufocar pelo embargo terrorista norte-americano, Cuba abre suas portas para o turismo, para o capital estrangeiro e infelizmente é forçada a ver novamente, depois de mais de 3 décadas extintas, males capitalistas, como a prostituição, voltarem ao seu território. Mas a economia se recupera...

“CUBA BATE RECORD DE PIB Em 2006, pelo segundo ano consecutivo, Cuba foi o país da América Latina com a maior taxa de crescimento do PIB: 12,5 por cento. Os que menos cresceram foram o Haiti e o Brasil. Os dados constam em relatório da Comissão Económica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL)”

(..) e Cuba será o exemplo para toda a América, para todo o mundo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Pátria amada, Brasil! - Cheia de contradições e injustiças a espera de mudanças!

(pintura de Beatriz Alessi)

(A pesar) Minha pátria

Minha pátria é minha,
Apesar de sua violência imensa,
Apesar de sua popular indiferença,
Apesar de sua elite capataz,
Apesar de sua miséria sem paz.

Apesar de suas políticas simbólicas,
Ações enganosas, hipocrisia,
Apesar das injustiças hiperbólicas
E da tristeza do dia-a-dia.

Com grande pesar eu repito
Minha pátria é minha
E sempre será.

Vivo a pesar este conflito -
É minha pátria tão má
Para a maioria
De pisados
E para uns gatos pingados,
O paraíso da fortuna e da folia.

Que peso carregam nas costas
Os brasileiros conscientes
Da ilusão entorpecente
Que é viver neste país de espertos e idiotas.

Que peso oprime aqueles
Nascidos sob este céu, neste recanto de fartura
Mas que só conheceram a amargura
De brasileiros serem eles.

domingo, 10 de junho de 2007

Pela janela do avião eles observam os tolos que votaram neles...

(Aerolula, em uma pequena pausa em casa, antes de viajar para outro recanto do mundo )
Como defender os interesses do povo
sem antes conhecer o mundo?!


“Nos cem primeiros dias desta legislatura, a Câmara já gastou R$ 449,3 mil em diárias e passagens de deputados que viajaram para cumprir "missões oficiais" no Brasil e no exterior.”

Folha de São Paulo - 13/05/2007 - 09h08 - LETÍCIA SANDERda Folha de S.Paulo, em Brasília. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u92298.shtml


Certamente, após começar um mandato e antes de fazer qualquer outra coisa, é primordial para um deputado conhecer o mundo inteiro. Afinal, se ele é o responsável por defender os interesses da população, propondo leis justas para governar este país, como ele poderia fazê-lo, sem antes conhecer as paradisíacas praias de Bali, na Indonésia, ou a beleza da cidade de Montevidéu, no Uruguai? Certamente que eles não vão a passeio, mas sim em importantes missões oficiais. É oficialmente necessário eles passearem!

Nesse período foram realizadas cerca de 64 viagens, das quais 52 para o exterior. Nos últimos 4 anos de mandatos, gastaram R$7,3 milhões, dinheiro empregado na honorável missão de “ampliar os horizontes”. Impressionante a inapetência dos membros de nosso Legislativo, que precisam de longos anos de “preparação” no exterior antes de se dignarem a desempenhar a função para o qual são pagos!

Aparentemente os Deputados precisam, após retornarem de suas viagens turísticas, apresentar um relatório relatando tudo que foi feito, para maior controle dos mesmos. No entanto, se eles não o fazem, não há nenhum tipo de punição. Conseqüentemente, eles não precisam apresentar coisa alguma. Basta pegarem o próximo avião. Mas, mesmo não havendo nada que imponha a eles tal necessidade, ainda há os que reclamam:

"Deputado tinha que conhecer o mundo inteiro. Aqui é que tem esse patrulhamento ridículo", criticou João Almeida (PSDB-BA), que foi a Bali.

Parece que este cidadão confirma não ser capaz de defender o interesse de ninguém antes de defender o interesse dele em conhecer os quatro cantos do mundo. Assim, no final do mês, quando temos de pagar por saúde privada, educação privada, entretenimento privado e segurança privada, podemos dormir tranqüilos sabendo que os 4 meses que trabalhamos anualmente só para pagar impostos são gastos para que os deputados “conheçam o mundo”. Parece que Brasília já não é grande o bastante. O que virá depois, a precisão de conhecer o espaço, para entender melhor como funciona a dinâmica geopolítica e sua influência nos interesses do povo brasileiro?! Só nos resta esperar mais 4 anos para eleger a próxima geração de turistas parlamentares, já que não nos dispomos a cortar o mal pela raiz.

“Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?” (Legião Urbana) Hoje, se não fosse obrigatório, muitos teriam preguiça até mesmo de exercer a mínima cidadania através do voto.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Será o fim?

Nem a luz do sol será bastante para quem não quer ver, nem a realidade será o bastante para quem só quer se esconder atrás de si mesmo... indiferente, egoísta, preguiçoso...


O fim do Sr. Preguiça (Fábula)

Havia n’uma floresta tropical um animal muito demorado, que fazia muito pouco de sua vida, mal queria mover-se para sobreviver. Tudo ele fazia lentamente, porque não queria se cansar, queria poupar todas suas energias para quando... Bem, ele nunca usava suas energias. Ele vivia quietamente, apenas comendo as frutas das árvores, que passavam o dia inteiro no sol quente p’ra se alimentar, que lutavam para que, em conjunto com os insetinhos que polinizavam suas flores, uma diversidade colorida e floral virasse frutos e árvores. Porém, este esforço vegetal era pouco valorizado pelo Sr. Preguiça, que em sua vida pacata, pegava as frutas sem se importar com o trabalho que estas deram às árvores. Ele era tão moroso que as imponentes plantas frutíferas ficavam indignadas com o fato de ele ser sustentado por elas sem nenhuma retribuição. Em nada ele colaborava pela eficiência e alegria da mata, simplesmente seguia naquela rotina do menor esforço. Enquanto todos os animais estavam de pé logo cedo para realizar as obrigações diárias, ajudar os animais doentes e necessitados, cuidar das árvores, desempenhar os papéis que a grande Matriarca, a Natureza, tinha dado para eles, o Sr. Preguiça ainda estava dormindo, cansado, mole de sono.
Naquele período do ano, a floresta estava muito quente, e o sol escaldante brilhava forte no céu, pois era verão. A vegetação sofria e suas folhas se ressequiam. N’um desses calmos dias ensolarados, o cinzento bicho estava parado, como ele fazia sempre, n’algum lugar bem confortável, vendo o tempo passar. Porém, algo começou a perturbar aquela imutável paz. Ele notou vagamente que havia alguma coisa queimando perto dele. Alguma coisa quente. Vários minutos depois, quando aquilo já estava incomodando-o em demasia, ele decidiu enfim ver o que era. Vagarosamente foi se virando, primeiro os olhos rastejaram para o lado, depois a cabeça cansadamente acompanho-os, e minuto à minuto, todo o corpo, um pouco contra a vontade, movia-se para descobrir o que era aquilo que ardia perto dele. Finalmente ele terminou, e percebeu que havia um grande fogaréu dominando a floresta. Os outros animais estavam todos ocupados fazendo suas tarefas, longe dali, e não podiam impedir o fogo. Apenas aquela criatura, preguiçosa como dizia seu nome, podia salvar a mata, se corresse para chamar os outros e ajudasse a apagar as chamas. Ele parou para pensar, e como de costume, ficou longamente parado, em vez de pensar. Tempo depois, despertou e lembrou que o fogo se alastrava. Mas, ele estava cansado demais para fazer alguma coisa, e ele era só um e não podia cuidar daquilo tudo. Nada ele poderia fazer, achava. Nada, a não ser procurar outro lugar, não muito longe dali (pois ele não podia gastar muitas forças para chegar lá), para voltar a descansar. Então, novamente ele começou sua odisséia para conseguir virar-se, e foi embora. Era esforço demais, ele não tinha coragem de impedir o fogo, ficava se justificando. Foi embora, e o incêndio seguiu incólume, rumo ao fim da floresta. Quando o Sr. Preguiça já estava a caminho de sua próxima cama, depois de várias horas, o vento mudou de direção e fez com que o fogo fosse em seu encalço. O bicho voltou a sentir aquele incomodo ardor em suas costas, mas não podia virar-se, gastaria muitas energias. Rapidamente as chamas o alcançaram, e foi o fim do Sr. Preguiça.
Nada quis fazer, além de procurar o próprio conforto, perdeu-se em sua lei (a do menor esforço) e levou todos à perdição também. O fogo das responsabilidades, da injustiça, das causas humanas não resolvidas, da desigualdade e da guerra, venceram o comodismo do Sr. Preguiça, cujos atos se assemelham muito com o de muitos homens nesta moderna selva de concreto.

Fim.

Nunca é o mesmo rio a passar, É sempre outro.


Poema diferente

A beleza deste mundo
Esta nele ser todo diferente.
Se fosse todo igual
Bastaria olhar no espelho
E veríamos o mundo inteiro.

A agitada mutação deste mundo
Está em suas diferenças
Se fosse todo igual
O movimento não mudaria nada.

A sua beleza eterna
É bela porque é diferente da minha.
Se fosses igual a mim
Que chato, quieto e sem graça seria.

A verdadeira felicidade do mundo
Consiste em olharmos para frente
E percebermos que tudo está diferente
Do que era há um segundo.

--//--
A alma em constante evolução, para o bem ou para o mal, sempre algo diferente do que era.
O mundo, cheio de vida, é vivo e igualmente inquieto e mutante.
As sucessivas e estranbólicas mudanças fazem o ciclo da vida continuar.
Todas as resultantes diferenças tornam tudo possível. As diferenças são belas... todas elas...
E pensar que elas são motivo de guerra. É verdadeiramente motivo de celebração.
É tão belo nosso mundo.
Por que destrui-lo?
Eu não compreendo...
"Para viver, preserve"

sábado, 2 de junho de 2007

O Capital também é religião...


Oração do Capitalista

Tio Sam nosso que está na América do Norte,
Santificado seja o nosso império,
Venha o dinheiro às nossas contas,
Seja feita a nossa vontade,
Assim na cobertura como no térreo.

O lucro nosso de cada dia nos daí agora,
Ò Tio Sam, não perdoe nenhuma ofensa,
Assim como nós não perdoamos quem nos tem ofendido;
E não nos deixei chegar à falência
Mas livrai-nos dos comunistas,
Amém.

--//--

FMI cheio de poder,
O Tio Sam é convosco,
Bendita é tua voz entre os subdesenvolvidos
E benditos são os resultados de seu poder, nosso lucro.

FMI matrona do Tio Sam,
Rogai por nós, capitalistas
Agora e na hora de ver o saldo da conta,
Amém.

--//--//--

Afinal de contas, o capeta´lista também tem fé que as crises sempre vão render-lhe lucro, nunca prejuízo, que as guerras serão momentos de prosperidade e que os pobres continuaram assim agora e na hora da morte dos patrões. "Assim seja"...

...

domingo, 27 de maio de 2007

Brasil: Engrenagens que ninguém sabe para que servem...


A grande máquina


Uma máquina pode ser descrita como algo que é criado para facilitar a vida do homem. Normalmente, elas são criadas para desempenhar papéis antes desempenhados por indivíduos, livrando-os assim destas responsabilidades e liberando-os para outras mais importantes, para as quais ainda não existam máquinas. Estas ferramentas proporcionaram (e ainda proporcionam) à humanidade grande progresso à medida que permitiram que ações repetitivas fossem realizadas com uma eficiência maior do que um ser humano seria capaz.
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No caso da máquina do Estado no Brasil, esta foge completamente a estes conceitos. Esta máquina, longe de facilitar a vida do homem, dificulta-a. Enferrujada, pesada e lenta, ela gera entraves para qualquer movimento econômico do país. Também possui um insustentável (apesar de não ser combatido) crescimento quando se trata de seu tamanho e de suas funções.
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Desde que o Brasil era colônia, a ganância foi o combustível das engrenagens políticas da Metrópole (Portugal) e sua possessão na América. Com o Império e por fim, com a República, este ainda continua sendo o combustível principal, onde todas as milhares de engrenagens (as quais podemos entender pelos funcionários e políticos que participam desta colossal ferramenta para a governabilidade) imaginam que o papel destes é buscar o maior benefício possível, deles próprios e de seus parentes. Historicamente aqueles que participavam do centro das decisões políticas, ou seja, do centro da máquina, sempre foram os de maior poder ou, popularmente conhecidos, a elite. Esta segue à risca a lógica de todo este pensamento, que é ter o poder e permanecer no poder, e finalmente pode-se concluir que há 500 anos que o Brasil vem construindo habilmente todo um intricado, emaranhado e confuso sistema que os permite chegar a este objetivo. De maneira prática podemos ver nas notícias do dia a dia, de maneira bastante discreta, o crescente número de órgãos que compõem a máquina do Estado Brasileiro.
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Não é algo facilmente perceptível, posto que nos é mostrado apenas como plano de fundo de outras matérias. São citações em várias matérias sobre um funcionário de determinado “ministério”, uma outra reportagem sobre um escândalo em certas “comissões”, depois um artigo sobre um esquema dentro daquele “conselho”, e quando percebemos, foram citados dezenas de ministérios, centenas de conselhos e incontáveis comissões, secretarias e agregados, para debater todos os infinitos e ínfimos assuntos propostos por estes “honoráveis” cidadãos que nos governam desde que o Rei de Portugal começou a colonizar este país.
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Hoje existem comissões para tudo, desde para cuidar da nutrição dos cidadãos, até para cuidar dos assuntos ligados a esportes de ‘alto rendimento’ (não perguntem o que isto significa, por que também não sei). Cada um destas repartições contando com uma vasta folha de empregados, onde muitos dos quais, estranhamente constam em várias comissões, conselhos, secretarias e ministérios. É muito trabalho para tão pouca gente, não? Certamente, para compensar tudo isso, eles precisam receber um salário para cada uma dessas funções, e agora minha imaginação lança uma luz sobre a dúvida anterior, o esporte de alto rendimento. Não será este esporte praticado pelos políticos e seus consangüíneos e amigos de desempenhar várias funções ao mesmo tempo? Se é ou não, não sei, mas com certeza os rendimentos são altos. Assim, cada vez mais, esta máquina vai crescendo e de tão grande, vamos ficando distantes e pequenos perante sua imensidão, perdidos sem saber pelo que protestar, temendo uma comissão para avaliar o protesto.
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Fazendo uma comparação rápida entre esta nossa máquina e uma árvore, poderíamos chamar os ministérios de o tronco desta, de onde derivam boa parte das ramificações, senão todas. Sendo assim, o presidente e os magistrados podem ser considerados grandes fertilizadores desta árvore, fazendo com que estes ministérios multipliquem-se desenfreadamente! Em nosso travado país existe quase trinta ministérios, havendo além de um ministério da Agricultura, um ministério para o desenvolvimento agrário e um para o combate à fome, não se esquecendo do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Com tanta gente cuidando da distribuição de nossas terras e da produção de alimentos, como pode o Brasil ser um dos países com maior concentração de terras e com um grande contingente de famintos? Às vezes eu imagino que todos esses ministérios e derivados são apenas placas na Esplanada dos Ministérios, que nada mais fazem a não ser indicar uma miragem. Temos é uma máquina fantasma cheia de vida.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Cada coração, a força do Sol.


Plan´alto

Quero deformar a face da mentira,
Esculpir a pedra de safira,
Desmascarar o rosto da ilusão,
Forjar o imutável com as mãos;

Quero entortar a alma intolerante,
Roubar o espelho da vaidade,
Desvendar o mistério da verdade,
Encharcar a aridez do ignorante;

Quero expandir o poder de todo o povo,
Devolver a dignidade ao miserável,
Dividir a grandeza do tesouro,
Tornar a doença social saudável;

Quero mostrar o homem ao egoísta,
Reumanizar o prazer material,
Substituir o tolo e o trivial,
Socializar a humanidade capitalista;

O mundo é meu lar,
A humanidade minha vida,
Ao próximo sempre vou amar,
A batalha pelo homem é minha lida.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

"Devemos acertar o caminho certo e a hora certa, marcando as alternativas seguras, para podermos andar nas ruas"


A prova de bala


Depois da campanha do Governo Federal de distribuir preservativos para a população, na iniciativa imediatista de acabar com um problema mais complexo, a próxima ação, no contexto da violência desmedida que ‘governa’ o país, certamente será distribuir coletes à prova de balas e capacetes de aço para a população.
Ainda vou mais além e ouso prever que nosso país (conhecido mundialmente por seu estilo tropical, sua moda colorida) criará a primeira coleção de coletes e capacetes fashion. Os ‘descontraídos’ cidadãos brasileiros desfilarão pelas ruas com camisetas metálicas cheias de estampas florais.
Nosso país mais uma vez será elogiado internacionalmente por suas medidas inovadoras no combate a seus obstáculos, assim como o foi pelas soluções praticadas contra a fome (o ‘admirável’ bolsa família) ou a respeito dos biocombustíveis. O inexplicável é perceber que alguns dos que tem fome, têm a sua sanada, mas mais famintos continuam surgindo, e que temos uma tecnologia na produção de biocombustíveis reconhecida mundialmente como a forte saída para o aquecimento global, mas que sua produção ainda gera queimadas, derrama toneladas de agrotóxicos nos rios e mata muitos trabalhadores (os corta-cana ou bóias frias) de exaustão.
O mesmo acontece com a violência. Os magistrados, no palácio da promoção da lei, julgarão para nós a melhor maneira de podar a erva daninha que aterroriza nossa população e enche-a de adubo. No Brasil, os orçamentos de segurança aumentam, os custos com os detentos aumentam e a fertilidade que a degradante condição social possui para encaminhar os desesperados brasileiros para o crime, contraproducentemente, também aumenta!
O restante de nós, que estamos encurralados entre os criminosos, que nos prejudicam de um lado, e as empresas de segurança privada e policiais corruptos, que nos roubam de outro, vivemos esta provação diária. Cada percurso ao trabalho ou à escola se torna esta prova contra as balas, onde devemos acertar o caminho certo e a hora certa, marcando as alternativas seguras, para podermos andar nas ruas, algumas das quais são mais freqüentadas pelos tiros do que por nós.

Se alguma cidadezinha de nosso Brasil ainda não chegou a este estado, não demorará para a injustiça gerar mais violência e o descaso governamental perante a segurança perpetrar a situação. Então sua cidade também se juntará às demais.

domingo, 8 de abril de 2007

Seca e Sangue


Uma nova era se abre com duas vibras trançadas

Seca e sangue
Seca e sangue

Herdeiros do novo milênio!
Ninguém tem mais dúvidas:
O sertão via virar mar,
E o mar sim,
Depois de encharcar as mais estreitas veredas,
Virará sertão...

(Letra da música Profecia da banda Cordel do Fogo Encantado)

...
Imensas áreas de nosso planeta se tornaram mais quentes e a vida sucumbirá com essa temperatura. Nossas florestas não resistirão e virarão desertos. Nossa Amazônia perderá mais de 25% de sua área existente hoje (onde já perdeu 20% da área original) até 2080, e a América do Sul ganhará seu Saara.
Com a escasses de água em vastas regiões do planeta, onde mais de 1 bilhão de pessoas estarão em uma situação catastrófica de falta de água potável, lagos, rios, mares de sangue serão derramados na batalha por a água, vital a todos e disperdiçada por aqueles que a tem demais, enquanto outros morrem por sua falta!

"Somente quando o homem derrubar cada árvore, poluir cada rio e pescar cada peixe, vai descobrir que não pode comer dinheiro"

Esta é a perspectiva mais extrema e cruel para nossa humanidade, e que corre o sério risco de se tornar realidade, pois em nosso imutável e desumano sistema, o reinado do capital, o homem está a baixo, na lista de prioridades, do dinheiro. Em busca deste dinheiro, compraremos nossa destruição. E no final, nossos cemitérios trarão a mensagem "Enfim descobriram que a vida não tem preço, após venderem suas almas"

terça-feira, 27 de março de 2007

A culpa é nossa!

A mão do poder - e seus pilares - em nosso honrado país!
Nossos Agradecimentos!


Em minha querida pátria há excelentes governantes. São pessoas cientes das necessidades da nação e desejosos de poderem solucioná-los. Gastam incomensuráveis energias neste empenho e não medem custos para assim permanecerem. Ano após ano verás que eles não abdicam de suas condições de integrantes nas decisões que dirigem este país soberano.
Independente de críticas ou desgostos que pudessem desencorajá-los em seus objetivos, eles permanecem firmes e fazem tudo o que for preciso para que estas não os importunem. Felizmente não raramente, eles conseguem ultrapassar estes ataques, incólumes.
Os nobilíssimos senhores nossos governantes são, inclusive, mais preocupados com o bem-estar de seus conterrâneos do que com seus próprios. Prova disso é que despendem, aparentemente, recursos tão grandes no esforço de continuarem habilitados a nos ajudar, que esses superam astronomicamente suas remunerações por tais cargos.
Alguns deles, nessa empreitada, nos parecem verdadeiros políticos messiânicos, fazendo seus escassos rendimentos gerarem, às vezes, dez vezes eles, para financiar este árduo trabalho.
Nós cidadãos, devíamos mostrar-nos gratificados com tantos sacrifícios, ao invés de maldizê-los e caluniá-los. Somos verdadeiros “cegos” perante as ilustres ações de nossos confiáveis líderes. “A culpa é nossa!”


Ainda bem que eles nunca deixam de cantar, para não nos esquecermos, que “o Brasil é o país do futuro”.