quarta-feira, 5 de março de 2008

Já não poderemos dizer nada? Quem luta ergue a voz e diz: Sou expressão de minha liberdade, de minha coragem, de minha consciência! Sou Revolução!


No Caminho com Maiakóviski
(fragmento do poema de Eduardo Alves da Costa)


Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

--//--


E a cada dia somos ultrajados, usurpados são os nossos direitos à educação, saúde, segurança e cultura, e não dizemos nada. Golpe por cima de golpe, a história é feita e a vemos apaticamente televisão afora... e ainda queremos reclamar? "Já não podemos dizer nada"... pois tudo aconteceu, nossas vidas passaram, nossos direitos definharam, nossas almas foram manchadas pela vergonha e pelo ridículo por que somos submetidos, e nada fizemos.

É o que queremos, os jardins de nossas vidas, nossa dignidade, humanidade, integridade, fraternidade, pisados por pés imundos e sanguinários?

Não creio, não posso crer, apesar de ver acontecer dia a dia...


Digo, clamo, levanto a voz e minha alma se ergue em luta e em revolta - Levantem-se, cidadãos, homens de todos os cantos e não aceitem as injustiças que presenciam! Não aceitem a supressão de seus direitos! Não aceitem tantas ofensas, tantas calamidades que batem nossas portas pois as chamamos em nosso descaso! Não aceitem as 'verdades' a que somos impostos sem questionar! Não aceitem! Lutem! Construam o mundo! Mudar o mundo está em nossas mãos!


"Ver um crime com calma, é cometê-lo" José Martí


Seremos criminosos, deixando o sangue dos miseráveis, dos injustiçados, dos humilhados e explorados correrem em nossas mãos inertes?


Lutemos.

Revolucionemos.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A insustentável frieza do ter – Admirável mundo ‘novo’ o nosso, espetáculo e riqueza banhados à sangue...

Empregabilidade ou Mortalidade Servil


O trabalho é o meio de sobrevivência fundamental da sociedade humana. Existem aqueles poucos que herdam fortunas ou são sustentados por terceiros a vida inteira, escapando do ciclo do trabalho, mas apesar das exceções, todos precisam “por lei” social, encontrar numa profissão os alicerces para sua subsistência.

É justa e necessária esta regra, esta condição existencial, para a construção de qualquer sonho ou plano do ser humano, seja ele econômico, cultural, social ou tecnológico, afinal, por trabalho entende-se justamente a concretização de idéias, a ação com fim produtivo.

Ajustando-se ao contexto coletivo, cada ser humano passou a buscar formas de ‘tornar-se útil’, procurando aprender ofícios, adquirindo conhecimentos, criando ou fabricando, em parceria ou a serviço de seus conterrâneos. Com o desenvolvimento do sistema político-econômico ocidental, o capitalismo, originado nas relações de escambo, estruturando-se como comércio, passando pelo mercantilismo, até sua fase atual, criou-se o conceito de empregador e empregado, ou aquele dono dos meios de produção e aquele gerador de mercadorias.

No princípio, quando os trabalhos eram ainda primitivos e não havia grande aperfeiçoamento técnico, qualquer pessoa estava apta a desempenhar a grande maioria das tarefas com poucos conhecimentos. As especificidades ocorriam apenas quando importavam as características físicas, em caso de serviços que demandassem maior força física, no caso de um carregador, um guerreiro, ou resistência, se fosse um mensageiro, e assim por diante, mas, de resto, todos eram potencialmente iguais.

No entanto, com os avanços tecnológicos, as coisas foram mudando, passando por duas etapas; a primeira foi durante a Revolução Industrial, quando o trabalhador foi mecanizado e qualquer qualificação tornou-se desnecessária, bastando realizar movimentos repetitivos, fase a qual se estendeu até recentemente e ainda existe em alguns lugares atrasados do mundo; a segunda fase é a que vivemos hoje, onde a tecnologia avançou tanto e tão rapidamente que para lidar com ela faz-se necessária elevada qualificação, excluindo repentinamente a grande massa de operários acostumados a não exigência de tal atributo.

Existe também outro fator decisivo nesse processo histórico, a dominação e a exploração. Quando o primeiro homem cercou uma determinada parcela de terra, a qual até então era comunitária, criou-se a relação (muitas vezes conflituosa, outras acomodada) entre os que tinham terras e os que se sujeitavam a esses primeiros. Com o passar do tempo, os proprietários começaram a perceber que para evitar problemas com seus servos, melhor era criar algum tipo de “lei superior” à qual eles temessem, justificando, assim, a “organização natural dos seres”, e fazendo dos súditos criaturas dóceis. Neste objetivo foram criadas as primeiras religiões teocêntricas que instauraram, em certos casos, a força maior do(s) ‘deus(es)’, dos quais eram os dominantes ‘representantes’ (como acontecia com os egípcios), ou em outros, o dominante ‘era’ o próprio ‘deus’ (à exemplo dos mesopotâmicos), merecendo respeito inquestionável, por ser esta a ‘ordem natural’.

Os séculos correram, muitas civilizações prosperaram e pereceram, e algumas coisas tiveram que mudar para que tudo continuasse como sempre foi. O teocentrismo foi substituído por toda uma elaborada cultura do capital, baseada no individualismo, hedonismo, ganância, competição irracional e egoísmo ilimitado, fazendo dos trabalhadores ainda servos dos donos dos meios de produção (a posse destes passou a representar o poder, antes obtido pela posse de terras). Da mesma forma em que os serventes trabalhavam apenas para sua sobrevivência, para não morrerem de fome, a grande massa de trabalhadores modernos aceitam receber salários de fome sem a menor contestação.

A sociedade tornou-se muito mais complexa do que era na antiguidade, possibilitando ‘inovações’/‘aberrações’ como nos casos de trabalhadores que ascendem ao posto de patrão, mas de forma geral, pouco mudou, inclusive a constante contradição do sistema capitalista, a qual permanece a mesma através dos séculos. Contradição esta que cria paradigmas “imutáveis” como “sempre haverá pobres” ou “o desemprego é necessário para o progresso”, ferramentas fundamentais da ‘cultura da acomodação’, instrumento do controle social, da contenção de danos derivados dos paradoxos absurdos do sistema.

A empregabilidade, ou seja, a construção das ‘condições pessoais ideais’ (condições técnicas, acadêmicas, psicológicas, físicas, interpessoais, etc) para tornar o indivíduo atrativo para as empresas que podem empregá-lo desenvolveu-se, principalmente na Terceira Revolução Industrial, na Era da Informação. Porém uma série de fatores está acentuando dramaticamente o lado perverso do sistema, encaminhando-o para grandes instabilidades e perspectivas autodestrutivas.
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Fatores como o próprio avanço tecnológico, o qual, voltado para a otimização da produtividade, trata de excluir da produção a participação do homem, com a crescente automação da agricultura, indústria e serviços, aumentando constantemente o montante de desempregados. Situação que puxa outro fator, a grande quantidade de desempregados cria uma reserva de trabalhadores que servem como pressão contra os salários, forçando-os para baixo.
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Já que todo empregado tornou-se facilmente substituível, visto o grande número de pessoas desejosas pelas mesmas vagas, e sujeito à demissão, ninguém ousa contestar a supressão de seus direitos trabalhistas, de sua dignidade, de sua humanidade, tudo subserviente ao instinto maior da sobrevivência.
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Além disso, com tantos desempregados e com salários cada vez mais baixos, quem consumirá a imensa e crescente produção, fruto de fábricas altamente mecanizadas? Sem consumidores, grandes prejuízos sucedem-se, gerando a necessidade do corte de custos, e o primeiro corte é a folha de pagamento. Ou seja, mais desemprego, pobreza generalizada, precarização da ‘qualidade de vida’.
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Percebendo a diminuição de seus consumidores, a maioria dos empresários, movidos por impulsos meramente financeiros, sem nenhuma noção ou preocupação com o bem-estar social, investe os vultuosos lucros em mega-campanhas publicitárias, para programar os consumidores restantes a consumirem ainda mais, para repor o investimento, esvaziar as imensas prateleiras do sistema e gerarem ainda mais lucros.
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Mais, mais, mais, mais... o capitalismo consiste basicamente nisto – Mais lucro, mais riqueza, mais concentração, mais investimentos, mais produção, mais consumo, mais avanço tecnológico, mais desemprego, mais pobreza, mais fome, mais morte, mais miséria, mais destruição, mais guerras, mais... nada.

O maior problema do sistema e sua maior contradição é sua insustentabilidade, pois não vê limites para a produção nem para o consumo, nem para o egoísmo ou individualismo. O sistema ignora totalmente o limite dos recursos e o bem-estar comum. Um sistema de excessos, baseado na mortalidade servil. A morte, fruto do sangue, da fome, da pobreza e da guerra. O prazer, o luxo, a ‘abundância’ e a ordem (opressão), paladinos do sistema, escondem atrás deles os cavaleiros apocalípticos – Morte, fome, peste e guerra.



“A Terra é capaz de suprir as necessidades de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens” Mahatma Gandhi

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Aqueles bravos, que lutam, sangram e são coragem e mudança vivos, tem estrelas no lado esquerdo do peito, que ilumina a existência de esperança...


Germinar a Vida

Tudo o que sinto é que minhas palavras
São inexpressivas perante a realidade da dor
A crueldade da perda, o frio sentimento
Da tristeza que arrebata do coração
Qualquer centelha de paz.

O impotente significado de uma palavra
Não é nada se comparado ao significado
Da morte, da insuportável agonia de saber
Ter sido arrastado para beco inalcançável
Alguém amado, algo que não volta...

Porque nada parece importar quando nossa
Alma é de tal forma dilacerada.
Como, por ventura, pode ter algum
Sentido as palavras?

E no entanto, não contente com tal irreparável
Sentença, venho e borro o papel com lágrimas
De pesar possíveis de entendimento.

Pois cada dia reconheço mais e mais
A tamanha dor que cobre o mundo,
Esconde as almas de toda a luz
E a qual confundimos com algo que decidimos
Chamar noite.

Mas é verdade que nem as palavras,
Nem todo o meu sangue
São suficientes para abrandar a irrefreável
Escuridão da noite.

Não contente com tal irreparável sentença,
Só me cabe uma atitude
- Desobedecendo toda a desolação da
Dor, doar todo meu sangue,
Multiplicado mil vezes em palavras.

E ser inteiramente sacrifício,
Que luta para trazer luz à noite,
Como as estrelas.

O amor maior, divino, incondicional,
Humano em plenitude,
Faz do coração, estrela.

Estrelas cujo laço entre elas
É esta luz, esse desejo de ir onde houver
Escuridão,
Para trazer ao vazio do espaço infinito
Algum calor
Que permita germinar a vida
Em corações de pedra, planetas solitários.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

"Liberdade - essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda" Cecília Meireles


A Liberdade é sombra da igualdade, vitória da fraternidade...
"Ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos sejam livres" Herbert Spencer
.
Liberdade...
Onde?
Aonde
Se esconde?
Será
É, deve ser
...
Simples ilusão
Anúncio, publicação
De jornalão, televisão
Reflexo de mera programação
...
Onde?
Quando
Foi que nos vimos flutuando
N´um mar de flores de papóula
Achando o Nada uma coisa boa
Que pelo vazio ecoa...?
.
E neste ópio
Nesta entorpecente calmaria
Corpos dormentes, mentes vazias
Pregam a Liberdade
Como a última novidade
E inalienável necessidade...
.
Inalienável é a necessidade da alienação
De uma acomodada e quieta população
Fanática por futebol, álcool, 'diversão'
.
E o restante...
Fica esquecido, lá, distante...
São idéias desestimulantes
Como o que é
Liberdade.
Liberdade?
Liberdade?
Liberdade?
Liberdade?
?
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--//--
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A Ilha das Flores
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Aquilo que foi considerado impróprio para a alimentação dos porcos será utilizado na alimentação de mulheres e crianças...
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Mulheres e crianças são seres humanos com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor...
...e nenhum dinheiro.
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Elas não tem dono, e o que é pior, são muitas...
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Por serem muitas, elas são organizadas pelos empregados do dono do porco em grupos de dez e tem a permissão de passar para o lado de dentro da cerca.
Do lado de dentro da cerca elas podem pegar todos os alimentos...
Que os empregados do dono do porco julgaram inadequados para o porco...
(...)
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O tomate, plantado pelo senhor suzuki, trocado por dinheiro com o supermercado, trocado por dinheiro de dona Nete, recusado para o molho do porco, jogado no lixo e recusado pelos porcos como alimento...
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Está agora disponível para os seres humanos na Ilha das Flores...
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O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade da escolha de alimentos é o fato
de não terem dinheiro...
nem dono...
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O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre...
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Livre é aquele que tem Liberdade...
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"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda"
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--//--
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"Liberdade" capitalista, escravidão...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O povo assiste ao programa da Globobagem - controle enlatado -, o programa dos 'poderosos' é outro...


Admirável o nosso (Pre)Judiciário, nossa (In)Justiça, o nosso (des)Governo, apoiado pelos inúmeros “Mistérios”, o Mistério da Educação, da Fazenda, da Cultura, e tantos outros, indecifráveis enigmas da Máquina do Retardo (Estado). Admirável mesmo é como nós, supostos cidadãos de uma suposta nação, parte de uma suposta comunidade internacional, suposta humanidade, não saibamos sequer os verdadeiros nomes das instituições as quais nos submetemos servilmente, sem contestar ou questionar qualquer das decisões que vem “de cima”. E continuemos a chamar de Justo o injusto, de correto, o incorreto, de verdadeiro, o mentiroso, de ‘legítimas’ as imposições. Sem saber ao menos os verdadeiros nomes dessas “Instituições”, ou poderíamos dizer, quadrilhas. Pelo menos os três principais –
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Exec(lusivo e destr)utivo,
(i)Leg(al),is(o)l(ado e abstr)ativo,
(pré)Judiciário
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- Sim, as verdades costumam ser um pouco maiores do que as “realidades”, pois é fácil esconder de quem não quer procurar.
Viver em comunidade é saber dizer “não” aos desmandos daqueles que supostamente deviam nos “representar”, ao invés de nos depreciar, enganar e roubar! E, como se não bastasse, relegamos o destino desses seres dominantes a eles próprios, quando é a população que os sustenta, são eles mesmos os responsáveis pela própria “fiscalização”, “punição”, “integridade”. Somos estúpidas “galinhas” entregues às “raposas”.

Acorde! O mundo passa lá fora. O Seu mundo. O Meu mundo. O Nosso mundo.

A Ditadura... Há Ditadura? Há Ditadura! Não se deixe iludir... "O pior cego é o que vê TV"


Há Ditadura... sim... não se pode negar, por mais que ninguém perceba, por mais que praguejem tolices sobre "Democracia" e "Liberdade"...

Dois valores imprescindíveis para espírito humano, o direito de decidir na mão de cada um - democracia - e o direito de decidir por si mesmo - liberdade...

Preciosidades que perderam seus mais profundos significados, perderam seu sentido, seus valores humanos, e se transformaram em simples produtos na vitrine mercadológica do sistema. São meros verbetes ilustrativos... nas bocas, nas ruas, nas placas; fruto da programação implacável, do poder de dominação psicológico e fisiológico sobre cada engrenagem minúscula do sistema...

Uma abominável ditadura, tão perversa que não se permite enxergar claramente, ilude com tamanha perícia que torna-se até um absurdo levantar esta hipótese. Ditadura? No Brasil? No "exemplar mundo capitalista ocidental, maior defensor da "liberdade e democracia"?

Mas, o que significa isso? Antes de blasfemarem injúrias e tolices predeterminadas, já paramos e refletimos o que será mesmo Liberdade?

Seria Liberdade se vestir de acordo com padrões alheios a você mesmo?... Imposições sabe-se lá de quem e de onde, mas que se acata com toda a subserviência de um simples cumpridor de ordens.

Seria Liberdade pensar “tudo” aquilo que é “permitido”? Rigidamente regrado pelas ‘Tradições’, ‘Dogmas’, ‘Regras da Sociedade’?

Pensamos em “tudo”?... Ou será que o condicionalmente ‘infanto-juvenil-adulto-velho-túmulo’ cuidou perfeitamente para que apenas o pueril e egoísta esteja na pauta de nossos pensamentos?

E todo o planejamento de uma vida! Que demonstração de Liberdade. Nasce, come, engole, cresce, come, engole, cresce, anda, come, engole, cresce, veste, come, engole, cresce, assiste, come, engole, cresce, aceita, come, engole, cresce, aprende, come, engole, cresce, compra, come, engole, cresce, compra, come, compra, engole, compra, cresce, compra, come, compra, compra, compra, compra, engole, compra, compra, compra, compra, cresce... decresce, decresce, decresce... volta, não adianta, não há mais nada além do anúncio da TV.
...
Que linda Liberdade.
Mas não quero essa “Liberdade” para mim.

Demo´cracia... o que é? Poder nas mãos do Demo? Do Bicho do mal, do Coisa Ruim?... Porque a primeira vez em que foi o poder do Povo, nem poder do povo era.

A democracia em seu berço grego já nasceu disforme e desigual. Uma ínfima parcela escravocrata era a dona do poder, a única considerada – povo. A massa trabalhadora, afinal, não é gente, é “tração animal” para a Roda do Progresso e Desenvolvimento.

E nossas vidas continuam, peças diminutas, alienadas, na paisagem dos Magnatas.


Em um livro de Erico Veríssimo muito bom chamado - Incidente em Antares –, que se passa na época da “histórica” e oficial Ditadura Militar (Por que, será mesmo que é história? Será mesmo que passou? Que não está lá fora, regendo nossos passos?), e no qual trata da ‘Fantástica’ narração do Incidente mais incomum já ‘noticiado’ – a volta de Sete cadáveres de seus esquifes, em protesto por não poderem ter sido enterrados, por ocasião de uma greve geral ocorrente na cidade de Antares, um Padre, cuja paróquia era a Vila Operária, sensível aos males e dores de seus irmãos, residentes na Favela local, a Babilônia (Que nome sugestivo para uma favela – nome de império, de glória – para designar a maior tristeza humana, as condições miseráveis e subumanas sob as quais vive boa parte da humanidade), quando indagado sobre o incidente, e confrontado com a possibilidade da presença, do retorno do Cristo para justificar tais ressurreições, retribui ao Delegado de Polícia presente (Conhecida figura, aluno exemplar dos tempos do Estado Novo, nas des´artes da tortura):

- Suponhamos que Jesus Cristo tenha mesmo voltado... Delegado Pigarço, não seria prudente mandar seus investigadores procurar o Filho do Homem? Olhe que esse indivíduo é perigoso... um subversivo socializante, um terrorista com antecedentes criminosos, uma ficha negríssima no DOPS de Pôncios Pilatos. Lembre-se do que ele andou dizendo e fazendo contra o grande Estabelecimento Romano...
Inocêncio (O delegado) põe-se de pé, a cara contraída. Mas o jovem Padre prossegue:
- Prenda Jesus, delegado, prenda-o o quanto antes! Interrogue-o. Faça-o confessar tudo, dizer o nome de todos os seus discípulos e cúmplices... Se ele não falar, torture-o em nome da Civilização Ocidental Cristã.

--//--

A maior hipocrisia de todo e qualquer capitalista indiferente, egoísta, perpetuador do ‘sistema de relações servis’, é se dizer Cristão. E uma grande ofensa à causa e à luta de Cristo de construir um Lar para todos os homens, igualmente, fraternalmente, livre, o verdadeiro Reino de Deus.

Não nos enganemos com a triste propaganda desses abutres corporativos, entronados em seus privilégios e em suas moradas de ossos. Não somos livres; não temos direitos, exceto aqueles insignificantes que não agridam o “direito superior que possui o capital sobre todas as coisas"; não temos liberdade de expressão, apenas a ridícula idéia de que repetir o coro é se expressar; não temos educação, apenas um conjunto de conhecimentos aplicados na criação da riqueza de poucos, quase nada que provoque o bem-estar comum, menos ainda que nos permita ser livre-pensantes; E nenhuma, absolutamente nenhuma noção de coletividade, a não ser a única “coletividade” nos dita ‘importante’ – o time de futebol – e, como se não bastasse, sobrepujando nosso inexistente sentimento comunitário, nos rasgam a carne para impingir perpetuamente a irreversível competição sanguinária.

“Realmente, vivemos muito sombrios!” Brecht

E só a grande luta de vidas inteiras, doadas, febrilmente solicitadas pela missão divina de lutar pelo outro, pode combater tudo quanto existe para combater, vencer, transformar, revolucionar. Vidas inteiras, cada gota de sangue de inúmeros indivíduos que não nascem para outra coisa que não seja ser a força da luta, o fogo da revolta, a direção para a justiça.

Não podemos desistir de lutar, pois a luta é o sentido de nossas existências, guerreiros de uma guerra que nunca deveria ser travada, de homens contra homens, homens contra sentimentos mesquinhos, egoístas e supérfluos, homens contra forças inexistentes, fruto de sua própria loucura, sua sede irracional pela fonte de sua destruição – poder como privilégio, individualismo como muralhas, trabalho como escravidão, existência como o vazio.

Libertemos-nos.
Sejamos humanos.
Ser humano.


Se Jesus Cristo voltasse, filho de uma mulher comum, casada com um trabalhador braçal comum, se tivesse conseguido ser parido, caso sua mãe não fosse espancada brutalmente por um marido bêbado, acusando-a de traição, se tivesse mesmo sobrevivido a primeira grande barreira das classes pobres, a carnívora mortalidade infantil, se ainda tivesse passado pelo cruel trabalho infantil, por ordem da inelutável sobrevivência, resistido às agruras do abandono, da mendicância, da exclusão social, e tivesse chegado à idade adulta e dito e feito o que foi sua missão dizer e fazer, seu sentido de viver, teria tido fim semelhante ao de dois mil anos atrás, feito preso e assassinado político, vítima da guerra rural, opressão sindical, ou mesmo do caos social e da violência urbana que acomete as ruas, os becos e os corredores de nossas relações sociais.
Ninguém ouviria sua voz, graças ao barulho ensurdecedor das buzinas, dos gritos, dos desesperos e das propagandas. Ninguém o notaria, pois seria só mais um fruto da miséria, um homem esfarrapado e faminto. E se alguns o seguissem, essa minoria seria brutalmente esmagada pela “incontestável verdade” de que “sempre haverá ricos e pobres, soberbos e miseráveis”. Mentira!

Lutemos. A luta do Cristo é a nossa luta, a luta do ser humano, que ainda se lembra o que é ser humano.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Liberdade, Igualdade, Fraternidade... Liberte-se.


Libertação

O luxo desses poucos
Causa a miséria de todos os outros!
A favela se multiplica
Para que essa gente seja rica!

Enquanto estivermos calados
Eles continuarão em seus carros importados;
Enquanto formos oprimidos,
Eles se esconderão em seus comprimidos...

Insurreição, libertação, redenção!
Sabotar o sistema de correntes,
Esquecer esse mundo para ser independente!
Ver o que há além da ilusão...

Desobediência!
Não se deve acatar jamais
O que for contra à nossa consciência...
Esse egoísmo, essa demência...

Libertação na igualdade fraterna.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Ai a liberdade... me libertando serei! Liberta-te!


Ais da nossa Liberdade

Que liberdade a nossa, não?
Não! Que liberdade?
Somos livres, diz ‘nossa’ lei.
Isso não é liberdade, isso é coisa de burguês...
Papel, da verdade, um véu, da ilusão, corcel,
Do pensamento, enganação, do coração, ilusão...
De nossas asas, mero céu de mentirinha,
E nosso sentimento se esconde na sensação mesquinha
Da irrealidade que nos impõem imutável.

A cada pensamento estreito e alienável,
Para não dizer alienado, mas já inferindo,
Vamos inconstruindo, reconstruindo, repetindo,
Fazendo a manutenção, legitimando
O fato, que por ser fato já é questionável,
De que somos livres e que acima de tudo
Proteger é preciso, este fato “absoluto”!

E nada há de mais valoroso!
Nem o homem, que é livre. (?)

Antes ser livre do que ser homem,
E o homem que não proteger o ser livre,
Não importa ser homem, os outros comem.

Pronto. Parede alta e intransponível.
Para nos proteger da ameaça à liberdade,
Nos cercamos como nunca devia o primeiro ter cercado.
Ninguém passa, ninguém entra, infalível.
Falido antes de tudo.

Será que é difícil enxergar? Certamente, através de nossos
Muros e fortalezas, deve ser tarefa das mais árduas...
Pois que somos dos seres os mais presos,
Por todos os nossos preconceitos
E pressupostas superioridades
E manias e grandezas e vaidades.

Ah, liberdade de televisão...
Ilusão, prisão, alienação...
Girando, girando...
Até parar para pensar
E voilà
Libertação.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"


A vida é uma caixinha de surpresas...
Um presente sem par, sem igual, sem noção, essencial!
Algo inigualável, inexprimível, fabuloso, infinito!
A vida não tem limites, não tem barreiras,
Tem simplesmente todo o potencial do universo contido n´uma única alma!
Um espírito, uma vida, e todas as possibilidades do mundo.
Façamos o que fomos feitos para fazer;
Cada um tem uma missão, eu acredito nisso,
E precisamos lutar, lutar sempre
Para fazer valer a vida, para ter valido a pena.
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"...
Minha alma é grande, a sua também!
Força e luta, irmão! Estendo-lhe a mão, lhe aguardo.
A jornada é longa...
Abraço.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

"Quem tudo quer, tudo perde" E a natureza está sendo perdida pois a ganância dos homens não cabe em seus corações desumanos...

A mãe-natureza nos aconchega. Por que maltratá-la? Por que sangrar o colo que nos afaga? Os homens são insensíveis, são cegos e egoístas... Como não ser apaixonado pela fonte da vida, origem de tanta luz e beleza, a natureza? Mas estamos sujos do pecado do nosso vício, a gana por mais e mais. Nossa ganância, nosso excesso, nos tirará tudo e depois que tudo estiver perdido, tudo o que foi inconsegüentemente e desumanamente acumulado, não valerá de nada, não valerá a pena ter destruído tudo para ter mais do que o outro. Ser mais do que os outros significa o que? Destruição e morte. O Rei das terras mortas e ensanguentadas. Sejamos iguais, para viver em harmonia com a mãe que nos aconchega.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Humanidade.

"Sei que a vida vale a pena..."



Dois e dois: quatro


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

Ferreira Gullar

-//-

A vida é bela e a luz da nossa existência vale cada gota do sangue que nos move. A vida é bela e vale cada partícula da nossa coragem, vale cada fração do nosso amor, vale cada centelha da nossa humanidade.
Um dia o pão sera pleno e a liberdade intensa. E dois e dois serão 4 vezes mais para abarcar quanto precise, pois os números se multiplicaram para a paz e a felicidade dos seres vivos, do homem e da mulher, na natureza e dos anjos.

"Sempre existe um caminho; Sempre existe uma luz"

"Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho.
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz.
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho.
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou."

(A Via Láctea - Legião Urbana)

Não podemos desistir, mesmo que não sejamos os salvadores da humanidade, mesmo que não pareçam existir saídas para as angústias, mesmo que a dor seja grande, "o pão seja caro e a liberdade pequena"... Preciso lutar, precisamos todos, pois o sangue corre em nossas veias e ele pede socorro pelos rios de sangue, seus e nossos irmãos, que choraram na história.

"Sempre existe uma luz"
Fé.

sábado, 20 de outubro de 2007

Educação Programada - Criaturas obedientes, educadas... programadas...

Edu´corda´ção - educação a base de amarras e cordas, marionetes...


Educação X Programação!


"Quando vejo que na idade de maior atividade os jovens são limitados a estudos puramente especulativos e que depois, sem a menor experiência, são bruscamente jogados no mundo e nos negócios, acho que a razão não é menos chocada do que a natureza e não fico surpreendido por tão pouca gente saber conduzir-se. Por que estranho modo de pensar nos ensinam tantas coisas inúteis, enquanto que a arte de agir é tida como nada?"

Jean-Jacques Rousseau

A juventude é o espírito mais impetuoso, revoltoso, questionador e intempestivo, cuja força é capaz de mover céus e terras, cuja ousadia pode ir onde ninguém mais foi. O jovem é o elo mais instável e apto para grandes e abruptas mudanças da corrente da sociedade, e em conseqüência disso, uma emaranhada trama foi criada para sepultar e suprimir essa tempestade ambulante, sequiosa por mudar e melhorar, de forma a não comprometer a manutenção do sistema em voga.

Assim se criou nos tempos modernos os sistemas educacionais, prisões do pensamento. Calabouços disfarçados sob a máscara da ciência e do saber. Mas uma pergunta aflora, saber o quê? O que se ensina nestes ditos educandários? Ensina-se a não se aprender nada, ensina-se apenas a guardar informações as quais não se sabe claramente para que servem, ensina-se a obededer as regras, sejam elas quais forem, ensina-se a cumprir padrões, ensina-se a repetir ações mecânicas.

As chamadas "escolas" são fábricas. Não fazem borbulhar criatividade nem desenvolvimento, apenas produzem máquinas de acordo com as necessidades do sistema, máquinas de calcular, máquinas de obedecer, máquidas de consumir. As características humanas individuais são irrelevantes dentro do ambiente padrão, e as potencialidades de cada um pouco consegue contribuir nesta cela fechada e rígida, onde não há espaço para novidades. As pequenas mudanças seguem a antiga lógica do despotismo esclarecido - "é preciso mudar um pouco para que tudo continue como está", e assim as poucas reformas vão sendo feitas, apesar de nunca atingirem a essência do processo, que continua incólume.

Os jovens, desde cedo, são programados, e como arvorezinhas, são podados continuamente para permanacerem no formato desejado. Os ganhos excessivos, são cortados fora, as folhas que alimentam a árvore, são limitadas a uma quantidade segura, e seus destinos são rigorosamente observados, para não fugirem ao controle. A programação é poderosa, aprimorada ao longo de séculos e séculos. Hoje quase não se percebe as suas lacunas, as suas faltas e seu real objetivo. Os argumentos contrários são combatidos com pequenas doses de concessões, que visam desqualificar as críticas. A critíca à predominância da formação puramente matemática é desfeita pelo leve tempero humanístico, um punhado de aulinhas de história ("oficial" - ou seja, um conto bonitinho manipulado pelos domiantes), uma brincadeirinha de geografia, e outros faz-de-conta dos quais nem nos damos conta, até nos esquecermos que no final, sabe-se mais fórmulas do que valores humanos, mais conceitos físicos do que solidariedade, sabe-se calcular, mas não se sabe dividir o pão.

Assim, as "forças produtivas" se apoderam deste produto final, indivíduos fabricados, agora fabricantes de riquezas e as velhas forças de poder permanecem em seu trono, protegida contra qualquer questionamento e oposição.

Os pequenos e dispersos movimentos contrários, alternativos, são tão poucos e distantes que se vêem sufocados pela realidade e não conseguem realmente lutar de igual para igual com o sistema dominante.

E assim, a humanidade segue, um espetáculo de manipuladores e suas marionetes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

É direito fundamental do indivíduo e da coletividade se revoltar contra aqueles e aquilo que ameacem sua soberania e direito à autodeterminação!

Obra de Diego Rivera

A Resistência

Nunca a luta contra a exploração e dominação sobre os homens foi tão dura quanto em nossos tempos, e reunir as forças necessárias para lutar, tornou-se tarefa das mais árduas!
Os nossos dias, se podemos realmente dizer nossos, correm em passos ligeiros, embalados no avanço tecnológico psicodélico, o qual é excelente meio de nos manter a mente ocupada e alienada. São tantas as novidades da tecnologia e do mercado, que não há tempo para analisar o mundo, sem correr o risco de perder o próximo lançamento e estar por fora das tendências da moda.

Junto à essa força avassaladora de alienação, soma-se a estratégia mais bem elaborada e fundamentada de dominação arbitrada pelos poderosos urubos no comando há tempo demais: "a invisibilidade dos inimigos". Não se pode mais apontar alvos claros para nossas batalhas, os inimigos se dispersaram, não existe mais um homem, um grupo, uma força ideológica que possa ser combatida com união, são mil fatores que circulam feito furacões pelos veículos de comunicação, nos fenômenos sociais, e que se enraízam de maneira desapercebida nos corações das pessoas e vão sedimentando suas energias, petrificando seus ímpetos, seus espíritos ávidos por mudanças.

Como combater? Como congregar? Qual a bandeira que pode unir as mãos de todo o povo? As causas foram transformadas em objetos de vitrine, produtos mercadológicos, os ideais foram enlatados e vendidos nos shoppings, a revolução virou enfeite em camisetas. As horas passam e os poucos movimentos pela mudança vêem-se isolados e jogados uns contra os outros, brigando feito insetos enquanto os abutres observam do alto, observando os líderes e queimando-os com suas lupas institucionais, aparatos governamentais, máscaras opressoras.

Que resistência pode ser feita? Que Contracultura poderá nascer no mundo padronizado, de larga escala, ‘globalizado’, onde as diferenças culturais vão cedendo à pressão do capital, ao consumo exacerbado das marcas e das grifes? Uma resistência precisa ser levantada, reunida, comandada, rumo à um objetivo de difícil delimitação; construir uma nova sociedade, porém enfrentando o medo de implodir a deplorável, porém maquiada, sociedade existente. Será esse o objetivo? Mudar o método de pensamento, transformar nossa maneira de pensar, subverter o cotidiano para reverter nossa submissão à programação vigente.

E como financiar esse ideal? Talvez o conceito de financiamento precise ser mudado também. Para se manter, ele precisa estar acima da manutenção, ser parte de cada combatente na maneira deles agirem no meio da realidade existente, dando suas pinceladas de mudança, seus toques de resistência.

Ainda quanto ao inimigo, onde ele está? Será que é o patrão, o político, o militar ou o fazendeiro, como era nos tempos das grandes revoluções da história? Não será que ele se tornou tão grande e abrangente que passa a ser cada um de nós, sendo nós mesmos nossos próprios inimigos? Será que não precisemos derrotar nossa acomodação, vencer as trincheiras de nossa inércia, transpassar nossa ignorância com golpes de impetuosidade, conquistar os territórios de nossa mente, antes ocupados pelos interesses comerciais, e construir espíritos inflamados e contestadores, aptos a se libertar e serem libertários, para assim podermos passar para o plano extracorpóreo? Será que antes de ir à luta numa frente de batalha ideológica, não precisemos vencer os batalhões de idéias conservadoras e acomodadas de nossos irmãos?

Nossa luta nunca foi tão dura, e nossa congregação nunca foi tão nebulosa. Os inimigos físicos se tornaram inimigos imateriais. O que era um edifício ou uma instituição, agora tornou-se um sentimento geral, uma força sobre-humana. Um conselho para a luta? Reúna-se. Converse com seu amigo. Crie um grupo. Forme uma rede de contracultura. Seja você a resistência. Se não consegue ver o inimigo, tente ao menos ver o seu amigo e junte-se a ele, junte-se aos camaradas e sejam a resistência, mesmo contra o desconhecido, pois uma fortaleza sólida resiste de onde quer que venha as ameaças. Seja você a resistência.

“Não podemos aguardar que os tempos se modifiquem e nós nos modifiquemos junto, por uma revolução que chegue e nos leve em sua marcha. Nós mesmos somos o futuro. Nós somos a revolução.” (Beatrice Bruteau)

Nós conseguiremos, é certo. A minha mão alcançará a de meu irmão, um dia. Venceremos os artifícios de desagregação, como as suspeitas, as desconfianças, os oportunistas e as manipulações. E as rochas que fundarão o futuro serão colocadas por pessoas como eu e você.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

"O Brasil é o país do futuro"... quando for uma nação, um povo unido, forte, aguerrido, lutador! Até lá... somos um país do passado...


Patr´idiota


Do patriotismo se podem dizer muitas coisas, que é um sentimento honrado de amor à pátria, como afirmam os nacionalistas, ou uma cegueira que eleva a nação e nega seus defeitos, de acordo com alguns ingratos filhos da terra, que não reconhecem o valor da pátria-mãe. A maioria esmagadora sequer pensa nisso.
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Uma nação é essencialmente um povo, e quando esse acredita nela e nele mesmo, nada pode deter o progresso de ambos, que na verdade são um só. Mas no Brasil, o conceito do ‘todo’ e do ‘indivíduo’ não se conciliam.

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Desde nossa “descoberta”, passando por nossa “independência”, até nossa “república”, nunca nos foi ensinado o significado de “nós”, porque não fomos nós que descobrimos o Brasil, nem nos tornamos independentes ou proclamamos a república. Esses “acontecimentos históricos” foram desempenhados pelas classes dominantes, que nunca se identificaram com o povo, e o povo seguiu alheio à tudo isso.
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O patriotismo do brasileiro foi importado de terras distantes, pelos mandatários do Brasil, pois esses consideraram que seria um bom instrumento de controle civil, permitindo manter a unidade nacional. Contudo, apenas uma fração do que é patriotismo foi trazido para essas fronteiras, a partícula cega, de obediência e resignação imbecil às decisões do alto, excluindo a reflexão crítica e o amor por zelar pelos reais interesses civis, para evitar transtornos ocasionais, caso a população entendesse que a pátria é dela, não dos déspotas disfarçados.

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Assim, ganhamos uma bandeira, um hino, um exército nacional, e mais recentemente, a seleção brasileira de futebol. Criou-se o admirável fenômeno patriótico sazonal; de quatro em quatro anos, milhões de festivos patriotas, por ocasião da Copa do Mundo, cantam o hino com orgulho, balançam bandeirolas e torcem pela vitória da seleção! Acabado o espetáculo, guardam-se os acessórios e todos voltam para seus mundinhos individuais; está garantida a unidade nacional e ninguém interfere na política do alto da pirâmide.

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O brasileiro é mesmo um patr´idiota, uma criação dos primeiros estrangeiros que dominaram esse país e deixaram seus filhos no comando. O brasileiro é um tolo que confunde nação com seleção, compra bandeirinhas verde-amarelo em tempo de Copa e permite que sejamos espoliados e explorados por uma elite interesseira e forasteiros imperialistas.
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Seguimos sendo uma das dez maiores potências econômicas do mundo, que, apesar do crescimento medíocre, sustenta curiosos, luxuosos e deprimentes absurdos, como o fato de sermos o país onde mais se fazem cirurgias plásticas no mundo e onde mais se consomem remédios para emagrecer, porém dono dos maiores índices de desigualdade social e concentração de renda mundiais, péssima educação e saúde públicas, violência descontrolada, mais parecendo uma guerra civil constante, um combate entre o miserável e explorado, refugo do sistema, que pega na arma para sobreviver e ter tudo o que nunca teve nem terá, contra a elitista classe média e alta (e astronomicamente alta), os barões empresários e coronéis industriais, que desfilam pelas ruas de carro importado (afinal, não existem carros nacionais, mesmo os “produzidos” aqui, são apenas montados, com peças oriundas de vários lugares da Ásia, e todos de marcas estrangeiras. Até os ônibus são de marcas estrangeiras!), ostentando seus novíssimos celulares, também de marcas imperiais.
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Uma nação sem povo, apenas um monte de pagadores de impostos, calados, cabeças baixas, pseudo-cidadãos, não tem futuro. Mas, ironicamente, alguém cantou “O Brasil é o país do futuro”.