terça-feira, 11 de março de 2008

Agora? Aja! Salve a humanidade, e estará salvando você...

A vida segura a vida...

Nos braços das folhas vivas
O sangue da natureza
Reflete as des´formas, as esquinas
N´uma gota de vida, de pureza...

Guardada esta fonte luz
Seja a última, sejam oceanos
Poderemos crer que nos conduz
A vida para o futuro dos anjos...

Mas não! Não, infelizmente
Os canos e tubulações
De nossas demências
Vícios, sujeiras, soberba deprimente
Destroem a vida, os corações
A natureza, nossa essência.

Salvar depois?
Sempre depois...
A enxurrada terá passado
E será tudo passado.

--//--

Abra os olhos para o mundo de feiuras
Respire este ar irrespirável
Prove o gosto amargo dos dejetos
Sinta o calor e o frio do que se perdeu
Ouça o grito dos que não se salvarão...

Agora? Aja!
...
"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

quinta-feira, 6 de março de 2008

Um hino para todos nós... "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

Prá não dizer que não falei de flores
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...


Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(4x)

--//--

O que estamos esperando? A sabedoria? Já não basta saber quantos erros e crueldades encharcam nossos pés pelas ruas sangrentas?...

Avante!

quarta-feira, 5 de março de 2008

"Não existe um caminho para a Paz, a Paz é o único caminho" - Mahatma Gandhi


Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça

Fernando Pessoa

--//--

De toda a humanidade, é minha vida
Muito mais que minha, é força motriz
De algo maior, fogo do universo, da revolta aguerrida
Na divina coragem da entrega me faço feliz.

Motivo de um peito que chora as dores
De outros peitos, corpos, irmãos...
Rumo ao combate da probreza, os Senhores
Façamos do amor, justiça e paz, nossa luta e canção!

O sangue que corre nas ruas reflete-se nos espelhos celestes...


“Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
(...)
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.”

Bertolt Brecht


O Céu daquela Terra


Ó Céu, não vês quão injusta é esta terra?
Por que há homens que comem e outros não?
Céu, conte-me por que alguns subiram à ti,
Em suaves aviões, e como tu, são tão indiferentes
Perante àqueles que nunca te alcançarão.

Conte-me, pois há muitos erros nestas pradarias
Que estão distantes demais de tua infinitude azul;
E parece que não vês.

Vejo com meus dois olhos distantes um do outro
Quão distantes estão as realidades;
Com um, vejo barrigas estufadas e fartas de comer,
Co’outro, vislumbro a chorosa visão d’algumas
Tão contraídas, que são umbigos deformados.

Ah, Céu, sob teu surpreendente azul,
Há um mar tão vermelho, vermelho sangue,
De sangue de gente, de homens e mulheres;
Também há mares de vermelhos outros,
De carros rubros, vinhos e sedas carmesim;
E porque há estes contrastes tão vazios e tristes?
Porque ninguém se incomoda com o sangue?

Ah, Céu, acho que tua divindade nos contaminou,
E como tu, nos tornamos uma imensa humanidade -
Vazia – Imensa massa humana, animais urbanos,
Ricos de verdes notas, pobre de folhas verdes;
Como tu, somos grandes demais para nos preocupar
Com a terra. Ela não importa, quando há firmamento
Ainda por contemplar e viajar.

Ah, infame Céu, largaste-nos neste abismo
Territórios destruídos, buracos de explosão,
Ruína humana, restos de escombros e pernas,
E braços e corpos mutilados.
De ti, ó Céu, os mesmos aviões que não nos vêem,
Lançaram a morte sobre nós, e os povos da terra
Choraram perante o grande cogumelo branco,
O calor dos projéteis, a raiva do urânio.

Ah, Céu, enquanto tu chovia, talvez chorava
Lágrimas falsas, tentativa de esconder as chamas,
Um raquítico menino também chorava,
Porque eu estava comendo tanta comida
E ele nunca tinha visto tanto.

É, distante Céu, rarefeito anil de distâncias,
Estamos sós neste mundo de homens,
Muitos e solitários,
Fartos e famintos,
Entediados e desgraçados.
Não quero mais voar, enquanto aquela outra
Criança não anda por falta de forças,
E não quero mais tua beleza,
Porque uns belos olhos negros foram
Incinerados.

Ah, Céu, há também teu amor,
Amor quente do sol, amor calmo da lua,
Cujas barrigas minguadas e rostos abaixados
Nunca viram.
Este amor não é para os demais,
Apenas aqueles que, já tendo tudo,
Podem então começar a amar.

Minha boca está agora seca,
Foi a água de meu corpo embora
Em lágrimas
Destes meus olhos tristes que pararam
De olhar pra ti, e olharam para o mundo.

Ah, Céu. Anoiteça e não mais apareça,
Enegreça-te e te tornes preto como as peles
Queimadas pelo evolutivo fogo;
Negro como as cinzas dos derrotados;
Sombrio como a pólvora nas carnes.
Adentre em nossas almas, ó Céu,
E não veja nada, onde não há vida.

A vida foi embora no último automóvel
Vermelho que saiu da fábrica de pobreza,
Foi embora naquele navio gigante
Em mar de pedintes,
Foi embora, quando um homem virou menos
Que um homem, perante outro.
Céu, noturno, humano,
Céu, Diurno, tirano.
.
.
.

O Povo e o Dono - Dono?... Criou-se tudo e a todos pertenciam... Cada qual com seu direito, cada dever, o necessário!


Dificuldade de governar

1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar.
Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra.
E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica.
Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas
Encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses:
Quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?
E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos
Tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de
Uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões
Nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil
Porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht

Democracia da Ovelha, Justiça da Cerca, Progresso do chicote - Libertemo-nos!


"Democracia"

Mais uma vez as ovelhas puderam escolher o pastor. E eu me pergunto a graça de estar na cerca, quando fora, ao pé do rio, a grama que cresce livre é tão mais doce...

Todos os graciosos cidadãos deste cercado agarram-se às falsas promessas, confiantes (tolos) no fim de seus tormentos. Crêem os pobres na revolução? Quando muito, nacos de pão. Pensam que as tosas se darão a intervalos justos (oquêi). Ou que o abate não se fará senão sob determinado intento (pois bem).

Mas as eleições são feitas, tempos em tempos, pelo dono das cercanias de modo a dizer-lhes que, por terem escolhido mal seu algoz, suportem o funcionário incapaz até o término de seu contrato, e que se rejubilem com seu destino, pois assim são as coisas e ninguém há de mudá-las.

É sabido, porém, que as boas ovelhas, envergonhadas de sua infeliz escolha, não levantam a voz nem a face para opor-se ao cajado que as conduz. Todas acreditam, de coração, que, aonde o pastor decidir conduzi-las, ali estarão em paz, afastadas do terrível lobo que espreita por cada fresta, e, dizem algumas, não tarda a se infiltrar no grupo para satisfazer-se sem sobressaltos.

Todos sabem que as ovelhas são animais estúpidos e não saberiam identificar um assassino entre as amigas. Para isso existe o pastor, que é de melhor estirpe e pode facilmente cuidar para que as coitadas, andando por aí por suas próprias idéias, não se percam em mato aberto, acostumadas que estão a arames farpados, vida regrada, fim definido (vitrine e panela).

Não somente as ovelhas escolhem seus pastores como também os burros interrompem a jornada para eleger a nova mão que os chicoteia. É sabido que os burros são bichos esforçados, embora às vezes empaquem e para isso é dado por Deus o direito da mão eleita descer sobre eles sua ferina chibata.

Uma ração mais farta de feno é o que prometem os candidatos. Contudo, de nada vale o cumprimento de tal promessa ao mais sábio dos animais, pois que as surras e a labuta tomam-lhe o porte e o dom de mastigar, e está definhando a olhos vistos. Contudo, conta com a regalia da desobrigação do voto, posto sua idade avançada, do que seu alto nível de conscientização não lhe permite dispor.

Não se trata aqui de alternativas reais para os que se vão conduzir ao laço, mas da simbólica atitude de aceitação para com seu destino. Legitimidade, todos sabem, é a alma do negócio. Dela carece mesmo o mais vil dos cretinos... Que dirá todo um complexo sistema que visa culpar os explorados por sua própria exploração?

À mim, ó ilusão juvenil!, nem a mão nem o algoz nem o pastor me domem, ou me impeçam de ir pastar onde quiser.


Diego Calazans

--//--

Não se enganem.
Sigamos cada um de nós nossos próprios caminhos.
Quem se deixa guiar, deixa que escolham por eles suas vidas.
Deixemos os 'pastores' para domarem o caminho das nuvens,
Assim como nos enganaram,
Que eles se enganem
Achando que podem domar a suprema liberdade
Dos ventos, das nuvens e dos homens e mulheres!


Solidariedade, Amor, Fraternidade - A maior liberdade!

Desobrigação... Terra da Obediência... e a Solidariedade

Motivação hoje em dia é tema de tantas palestras e livros, palcos e editoras afora. Muitas pessoas vivem suas vidas na constante desanimação da rotina a qual elas acreditam serem forçadas, delegam seus caminhos à obrigatoriedade da sobrevivência, dos horários e prazos, da mecanicidade moderna, ignoram qualquer motivo maior, interior, próprio, para desempenharem suas funções, e diversas vezes desconhecem o que existe nelas além da ‘função’ que lhes foi atribuída. São engrenagens vivas que não lubrificam sua força motriz, suas almas, e acabam desestimuladas em seus trabalhos burocráticos, às vezes repetitivos. Acomodam-se.

A produtividade cai, e os mecânicos dessas engrenagens humanas, os gestores, empresários, precisam recorrer a essas técnicas de motivação. É preciso criar forças externas que ‘motivem’ as pessoas, que lhes seja combustível para suas tarefas.

Por motivação, interpreto o entendimento dos motivos que nos movem. Mas vivemos numa realidade onde o principal ‘motivo’ é o retorno financeiro, os bens materiais que podem ser comprados, os prazeres que podem ser comprados. Tantos passam a vida inteira movidos por este objetivo, mas são esses mesmos os que precisarão de um impulso externo para acordarem todos os dias para trabalhar. Podem ser as contas para vencer esse impulso que os empurra, ou um supervisor cobrando resultados, mas sempre são obrigações às quais não gostariam de se submeter. E assim, criou-se a ‘salvação’ da aposentadoria.

Na Idade Média, todos os pesares e sofrimentos, provações e sacrifícios se justificavam pela promessa do paraíso após a morte, na Modernidade, criou-se a esperança de melhoras na aposentadoria após os anos de trabalho obrigatório. Já vi jovens imbuídos do pensamento de que quanto antes começassem a trabalhar, antes se aposentariam.

Há também a criação antiga do fim de semana, um dia ou dois que foram criados para não esquecermos como é poder escolher como será hoje, sem as correntes do cotidiano. Trágico é perceber que alguns, tão acostumados que estão a essa obrigação que lhes diz o que fazer, defronte à limitada liberdade concedida pelo fim de semana, vêem-se sem saber para onde ir, como agir, e acabam refugiando-se em uma nova rotina, ou buscando entorpecentes como bebidas, jogatina (reprodução de suas atividades repetitivas) e contato social com iguais em busca de fazerem o tempo passar.

Essa atitude padronizada é criada logo cedo, quando as crianças passam a ver na obrigação de ir para dentro daquele prédio decorar informações, algo maçante, diverso da adorável vida estática que aguarda em frente à TV, ou da dinâmica das brincadeiras infantis. A adolescência chega e além da programação televisiva, soma-se a fuga para realidades artificiais dos shoppings e festas, recanto dos jovens que bóiam sem direção, ou dos esportes de massa, realidades virtuais. A escola é apenas a obrigação levada adiante com desprazer, repetição de informações nunca aplicados para o bem-estar. Pouco muda quando entram esses jovens no mundo do trabalho, permanece a atitude de obediência perante a ‘única’ realidade, onde o trabalho é a obrigação penosa que antecede o ‘paraíso’.
E voltamos ao dilema do desestímulo crônico, problema constante, e ao mundo dos palestrantes sorridentes cheios de fórmulas e dos livros de auto-ajuda, soluções práticas num contexto que exige remédios instantâneos.

Depois dessas ligeiras reflexões, gostaria de tratar d´outra questão, a solidariedade. Porque esse sentimento, valor, princípio, seja o que for, não é lá o mais comum entre as pessoas. O que em boa parte se explica pela simples razão de que a solidariedade não cabe neste mundo de obediência, repetição, indiferença e entorpecimento. Onde caberá o amor ao próximo n´um coração preocupado com ocupar com algum ‘nada’ um restante de tempo que deixou sobrar a obrigação, tratar o vazio interior com algum remédio que nos permita esquecê-lo, ignorá-lo?

Durante toda nossa vida nos oferecem inutilidades, sejam aquelas que desgostamos, ou aquelas que nos ensinam a gostar, ou seja, as obrigações e as distrações. Como perceber a utilidade do amor fraterno, se desconhecemos qualquer coisa útil, além daquelas as quais cultuamos obedientes? Estamos ocupados demais com os diversos cultos modernos, culto à saúde, à independência financeira, ao lazer, ‘utilidades’ hipertrofiadas, transformadas na vaidade cega da ‘perfeição física’, na ânsia incessante pela riqueza, no afogamento no prazer.

Algo tão desobrigado, espontâneo, verdadeiro como o amor ao próximo, torna-se como sentimento deslocado na Terra da Obediência. Pouquíssimos patrões do Capital andam por ai obrigando seus funcionários à trabalhos sociais, e menos ainda se preocupam em organizar um trabalho tal que concretize mudanças, que aproxime realmente as pessoas, tanto as ajudadas quanto as que ajudam. Criou-se há incontáveis anos atrás a tal da 'Filantropia da Riqueza'. Doações impessoais, vazias, sem contato humano, sem carinho, sem amizade, sem amor. Meras doações para suprir alguma necessidade fisiológica como a fome ou a higiene, nada restando para as necessidades emocionais, do coração e da alma, o companheirismo, a amizade, a união, a solidariedade, o calor humano.

Pior ainda, já não bastasse esta abominável falsa-caridade da Doação Indiferente, ainda surgiu a ‘moda’ da Responsabilidade Social como forma de Publicidade. Ajudar ao próximo agora gera aumento de vendas, aumento do lucro, aumento do consumo, da boa-imagem empresarial. O objetivo que era ajudar, transformou-se em investimento publicitário, e passou a ser apenas mais um meio de promoção mercadológica. Mercantilizamos a ‘solidariedade’, virou item na folha de ‘custos’, investimento lucrativo, economia da indiferença, grotesca inversão de valores!

Que ‘bela’ cultura esta moderna, uma cultura que celebra o ‘nada de novo’, porém disfarçado, maquiado pela erupção de ‘novidades mercadológicas’, escondendo a conservação do poder em mãos viciadas, pois este ‘nada’ não causa problemas, não questiona nem anseia por mudar as estruturas da injusta realidade.

Um ciclo que precisamos quebrar. Um ciclo que se quebra por si mesmo, pois torna tão insuportáveis e infelizes a vida de tantas almas andantes...

Mudemos. Sejamos amor próprio transbordando em infinito amor ao próximo.


“Amar é tudo o que importa!”

- Irmãos e irmãs, uma humanidade de amor e luz.

Que lugar melhor do que aqui! Que tempo melhor do que agora!


Algum dia

Algum dia existe?
Pode-se encontrá-lo pelos cantos escuros,
Empoeirados e esquecidos
Do calendário?

O que significa,
Além de algo inalcançável,
Sinônimo de desistência,
Prematura morte da certeza,
Falsa esperança, máscara de fel...?

Algum dia se alcançará a iluminação,
Algum dia a humanidade aprenderá,
Algum dia as pessoas saberão amar.
Algum dia...

--//--

Não deixemos para algum dia a nossa luta de hoje, pois se não pode faltar o pão-de-cada-dia, também a luta não aguarda, pois os que sangram tem pressa.

Tem que começar em algum lugar!
Tem que começar em algum tempo!
Que lugar melhor do que aqui!
Que tempo melhor que agora!

(música de Rage Against the Machine - Guerrilla Radio)

Onde está nosso poder, onde está a força da transformação? No aqui e no agora.

Seja você o primeiro, seja a centelha a acender corações para a mudança.

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

- N´um 4 de Julho, de 1989, na Praça da Paz Celestial, um homem lutou naquele momento, naquele lugar, mesmo sozinho, tomou para si a coragem da humanidade e enfrentou o gigante que é a luta pela justiça, pela paz, pela igualdade e pela liberdade. Pode parecer que não, mas na verdade ele venceu a grande batalha - mostrar a todos que podemos lutar, que podemos revolucionar.
.
Quando o exemplo daquele soldado anônimo se fizer mil, milhão, bilhão, todos os corações cheios de amor e sede de justiça, nada poderá impedir a vitória.
.
"Hasta la vitória siempre!"
.
"Todo coração é uma célula revolucionária!"

Já não poderemos dizer nada? Quem luta ergue a voz e diz: Sou expressão de minha liberdade, de minha coragem, de minha consciência! Sou Revolução!


No Caminho com Maiakóviski
(fragmento do poema de Eduardo Alves da Costa)


Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

--//--


E a cada dia somos ultrajados, usurpados são os nossos direitos à educação, saúde, segurança e cultura, e não dizemos nada. Golpe por cima de golpe, a história é feita e a vemos apaticamente televisão afora... e ainda queremos reclamar? "Já não podemos dizer nada"... pois tudo aconteceu, nossas vidas passaram, nossos direitos definharam, nossas almas foram manchadas pela vergonha e pelo ridículo por que somos submetidos, e nada fizemos.

É o que queremos, os jardins de nossas vidas, nossa dignidade, humanidade, integridade, fraternidade, pisados por pés imundos e sanguinários?

Não creio, não posso crer, apesar de ver acontecer dia a dia...


Digo, clamo, levanto a voz e minha alma se ergue em luta e em revolta - Levantem-se, cidadãos, homens de todos os cantos e não aceitem as injustiças que presenciam! Não aceitem a supressão de seus direitos! Não aceitem tantas ofensas, tantas calamidades que batem nossas portas pois as chamamos em nosso descaso! Não aceitem as 'verdades' a que somos impostos sem questionar! Não aceitem! Lutem! Construam o mundo! Mudar o mundo está em nossas mãos!


"Ver um crime com calma, é cometê-lo" José Martí


Seremos criminosos, deixando o sangue dos miseráveis, dos injustiçados, dos humilhados e explorados correrem em nossas mãos inertes?


Lutemos.

Revolucionemos.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A insustentável frieza do ter – Admirável mundo ‘novo’ o nosso, espetáculo e riqueza banhados à sangue...

Empregabilidade ou Mortalidade Servil


O trabalho é o meio de sobrevivência fundamental da sociedade humana. Existem aqueles poucos que herdam fortunas ou são sustentados por terceiros a vida inteira, escapando do ciclo do trabalho, mas apesar das exceções, todos precisam “por lei” social, encontrar numa profissão os alicerces para sua subsistência.

É justa e necessária esta regra, esta condição existencial, para a construção de qualquer sonho ou plano do ser humano, seja ele econômico, cultural, social ou tecnológico, afinal, por trabalho entende-se justamente a concretização de idéias, a ação com fim produtivo.

Ajustando-se ao contexto coletivo, cada ser humano passou a buscar formas de ‘tornar-se útil’, procurando aprender ofícios, adquirindo conhecimentos, criando ou fabricando, em parceria ou a serviço de seus conterrâneos. Com o desenvolvimento do sistema político-econômico ocidental, o capitalismo, originado nas relações de escambo, estruturando-se como comércio, passando pelo mercantilismo, até sua fase atual, criou-se o conceito de empregador e empregado, ou aquele dono dos meios de produção e aquele gerador de mercadorias.

No princípio, quando os trabalhos eram ainda primitivos e não havia grande aperfeiçoamento técnico, qualquer pessoa estava apta a desempenhar a grande maioria das tarefas com poucos conhecimentos. As especificidades ocorriam apenas quando importavam as características físicas, em caso de serviços que demandassem maior força física, no caso de um carregador, um guerreiro, ou resistência, se fosse um mensageiro, e assim por diante, mas, de resto, todos eram potencialmente iguais.

No entanto, com os avanços tecnológicos, as coisas foram mudando, passando por duas etapas; a primeira foi durante a Revolução Industrial, quando o trabalhador foi mecanizado e qualquer qualificação tornou-se desnecessária, bastando realizar movimentos repetitivos, fase a qual se estendeu até recentemente e ainda existe em alguns lugares atrasados do mundo; a segunda fase é a que vivemos hoje, onde a tecnologia avançou tanto e tão rapidamente que para lidar com ela faz-se necessária elevada qualificação, excluindo repentinamente a grande massa de operários acostumados a não exigência de tal atributo.

Existe também outro fator decisivo nesse processo histórico, a dominação e a exploração. Quando o primeiro homem cercou uma determinada parcela de terra, a qual até então era comunitária, criou-se a relação (muitas vezes conflituosa, outras acomodada) entre os que tinham terras e os que se sujeitavam a esses primeiros. Com o passar do tempo, os proprietários começaram a perceber que para evitar problemas com seus servos, melhor era criar algum tipo de “lei superior” à qual eles temessem, justificando, assim, a “organização natural dos seres”, e fazendo dos súditos criaturas dóceis. Neste objetivo foram criadas as primeiras religiões teocêntricas que instauraram, em certos casos, a força maior do(s) ‘deus(es)’, dos quais eram os dominantes ‘representantes’ (como acontecia com os egípcios), ou em outros, o dominante ‘era’ o próprio ‘deus’ (à exemplo dos mesopotâmicos), merecendo respeito inquestionável, por ser esta a ‘ordem natural’.

Os séculos correram, muitas civilizações prosperaram e pereceram, e algumas coisas tiveram que mudar para que tudo continuasse como sempre foi. O teocentrismo foi substituído por toda uma elaborada cultura do capital, baseada no individualismo, hedonismo, ganância, competição irracional e egoísmo ilimitado, fazendo dos trabalhadores ainda servos dos donos dos meios de produção (a posse destes passou a representar o poder, antes obtido pela posse de terras). Da mesma forma em que os serventes trabalhavam apenas para sua sobrevivência, para não morrerem de fome, a grande massa de trabalhadores modernos aceitam receber salários de fome sem a menor contestação.

A sociedade tornou-se muito mais complexa do que era na antiguidade, possibilitando ‘inovações’/‘aberrações’ como nos casos de trabalhadores que ascendem ao posto de patrão, mas de forma geral, pouco mudou, inclusive a constante contradição do sistema capitalista, a qual permanece a mesma através dos séculos. Contradição esta que cria paradigmas “imutáveis” como “sempre haverá pobres” ou “o desemprego é necessário para o progresso”, ferramentas fundamentais da ‘cultura da acomodação’, instrumento do controle social, da contenção de danos derivados dos paradoxos absurdos do sistema.

A empregabilidade, ou seja, a construção das ‘condições pessoais ideais’ (condições técnicas, acadêmicas, psicológicas, físicas, interpessoais, etc) para tornar o indivíduo atrativo para as empresas que podem empregá-lo desenvolveu-se, principalmente na Terceira Revolução Industrial, na Era da Informação. Porém uma série de fatores está acentuando dramaticamente o lado perverso do sistema, encaminhando-o para grandes instabilidades e perspectivas autodestrutivas.
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Fatores como o próprio avanço tecnológico, o qual, voltado para a otimização da produtividade, trata de excluir da produção a participação do homem, com a crescente automação da agricultura, indústria e serviços, aumentando constantemente o montante de desempregados. Situação que puxa outro fator, a grande quantidade de desempregados cria uma reserva de trabalhadores que servem como pressão contra os salários, forçando-os para baixo.
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Já que todo empregado tornou-se facilmente substituível, visto o grande número de pessoas desejosas pelas mesmas vagas, e sujeito à demissão, ninguém ousa contestar a supressão de seus direitos trabalhistas, de sua dignidade, de sua humanidade, tudo subserviente ao instinto maior da sobrevivência.
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Além disso, com tantos desempregados e com salários cada vez mais baixos, quem consumirá a imensa e crescente produção, fruto de fábricas altamente mecanizadas? Sem consumidores, grandes prejuízos sucedem-se, gerando a necessidade do corte de custos, e o primeiro corte é a folha de pagamento. Ou seja, mais desemprego, pobreza generalizada, precarização da ‘qualidade de vida’.
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Percebendo a diminuição de seus consumidores, a maioria dos empresários, movidos por impulsos meramente financeiros, sem nenhuma noção ou preocupação com o bem-estar social, investe os vultuosos lucros em mega-campanhas publicitárias, para programar os consumidores restantes a consumirem ainda mais, para repor o investimento, esvaziar as imensas prateleiras do sistema e gerarem ainda mais lucros.
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Mais, mais, mais, mais... o capitalismo consiste basicamente nisto – Mais lucro, mais riqueza, mais concentração, mais investimentos, mais produção, mais consumo, mais avanço tecnológico, mais desemprego, mais pobreza, mais fome, mais morte, mais miséria, mais destruição, mais guerras, mais... nada.

O maior problema do sistema e sua maior contradição é sua insustentabilidade, pois não vê limites para a produção nem para o consumo, nem para o egoísmo ou individualismo. O sistema ignora totalmente o limite dos recursos e o bem-estar comum. Um sistema de excessos, baseado na mortalidade servil. A morte, fruto do sangue, da fome, da pobreza e da guerra. O prazer, o luxo, a ‘abundância’ e a ordem (opressão), paladinos do sistema, escondem atrás deles os cavaleiros apocalípticos – Morte, fome, peste e guerra.



“A Terra é capaz de suprir as necessidades de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens” Mahatma Gandhi

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Aqueles bravos, que lutam, sangram e são coragem e mudança vivos, tem estrelas no lado esquerdo do peito, que ilumina a existência de esperança...


Germinar a Vida

Tudo o que sinto é que minhas palavras
São inexpressivas perante a realidade da dor
A crueldade da perda, o frio sentimento
Da tristeza que arrebata do coração
Qualquer centelha de paz.

O impotente significado de uma palavra
Não é nada se comparado ao significado
Da morte, da insuportável agonia de saber
Ter sido arrastado para beco inalcançável
Alguém amado, algo que não volta...

Porque nada parece importar quando nossa
Alma é de tal forma dilacerada.
Como, por ventura, pode ter algum
Sentido as palavras?

E no entanto, não contente com tal irreparável
Sentença, venho e borro o papel com lágrimas
De pesar possíveis de entendimento.

Pois cada dia reconheço mais e mais
A tamanha dor que cobre o mundo,
Esconde as almas de toda a luz
E a qual confundimos com algo que decidimos
Chamar noite.

Mas é verdade que nem as palavras,
Nem todo o meu sangue
São suficientes para abrandar a irrefreável
Escuridão da noite.

Não contente com tal irreparável sentença,
Só me cabe uma atitude
- Desobedecendo toda a desolação da
Dor, doar todo meu sangue,
Multiplicado mil vezes em palavras.

E ser inteiramente sacrifício,
Que luta para trazer luz à noite,
Como as estrelas.

O amor maior, divino, incondicional,
Humano em plenitude,
Faz do coração, estrela.

Estrelas cujo laço entre elas
É esta luz, esse desejo de ir onde houver
Escuridão,
Para trazer ao vazio do espaço infinito
Algum calor
Que permita germinar a vida
Em corações de pedra, planetas solitários.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

"Liberdade - essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda" Cecília Meireles


A Liberdade é sombra da igualdade, vitória da fraternidade...
"Ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos sejam livres" Herbert Spencer
.
Liberdade...
Onde?
Aonde
Se esconde?
Será
É, deve ser
...
Simples ilusão
Anúncio, publicação
De jornalão, televisão
Reflexo de mera programação
...
Onde?
Quando
Foi que nos vimos flutuando
N´um mar de flores de papóula
Achando o Nada uma coisa boa
Que pelo vazio ecoa...?
.
E neste ópio
Nesta entorpecente calmaria
Corpos dormentes, mentes vazias
Pregam a Liberdade
Como a última novidade
E inalienável necessidade...
.
Inalienável é a necessidade da alienação
De uma acomodada e quieta população
Fanática por futebol, álcool, 'diversão'
.
E o restante...
Fica esquecido, lá, distante...
São idéias desestimulantes
Como o que é
Liberdade.
Liberdade?
Liberdade?
Liberdade?
Liberdade?
?
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--//--
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A Ilha das Flores
.
Aquilo que foi considerado impróprio para a alimentação dos porcos será utilizado na alimentação de mulheres e crianças...
.
Mulheres e crianças são seres humanos com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor...
...e nenhum dinheiro.
.
Elas não tem dono, e o que é pior, são muitas...
.
Por serem muitas, elas são organizadas pelos empregados do dono do porco em grupos de dez e tem a permissão de passar para o lado de dentro da cerca.
Do lado de dentro da cerca elas podem pegar todos os alimentos...
Que os empregados do dono do porco julgaram inadequados para o porco...
(...)
.
O tomate, plantado pelo senhor suzuki, trocado por dinheiro com o supermercado, trocado por dinheiro de dona Nete, recusado para o molho do porco, jogado no lixo e recusado pelos porcos como alimento...
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Está agora disponível para os seres humanos na Ilha das Flores...
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.
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O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade da escolha de alimentos é o fato
de não terem dinheiro...
nem dono...
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O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre...
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Livre é aquele que tem Liberdade...
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"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda"
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--//--
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"Liberdade" capitalista, escravidão...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O povo assiste ao programa da Globobagem - controle enlatado -, o programa dos 'poderosos' é outro...


Admirável o nosso (Pre)Judiciário, nossa (In)Justiça, o nosso (des)Governo, apoiado pelos inúmeros “Mistérios”, o Mistério da Educação, da Fazenda, da Cultura, e tantos outros, indecifráveis enigmas da Máquina do Retardo (Estado). Admirável mesmo é como nós, supostos cidadãos de uma suposta nação, parte de uma suposta comunidade internacional, suposta humanidade, não saibamos sequer os verdadeiros nomes das instituições as quais nos submetemos servilmente, sem contestar ou questionar qualquer das decisões que vem “de cima”. E continuemos a chamar de Justo o injusto, de correto, o incorreto, de verdadeiro, o mentiroso, de ‘legítimas’ as imposições. Sem saber ao menos os verdadeiros nomes dessas “Instituições”, ou poderíamos dizer, quadrilhas. Pelo menos os três principais –
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Exec(lusivo e destr)utivo,
(i)Leg(al),is(o)l(ado e abstr)ativo,
(pré)Judiciário
.
- Sim, as verdades costumam ser um pouco maiores do que as “realidades”, pois é fácil esconder de quem não quer procurar.
Viver em comunidade é saber dizer “não” aos desmandos daqueles que supostamente deviam nos “representar”, ao invés de nos depreciar, enganar e roubar! E, como se não bastasse, relegamos o destino desses seres dominantes a eles próprios, quando é a população que os sustenta, são eles mesmos os responsáveis pela própria “fiscalização”, “punição”, “integridade”. Somos estúpidas “galinhas” entregues às “raposas”.

Acorde! O mundo passa lá fora. O Seu mundo. O Meu mundo. O Nosso mundo.

A Ditadura... Há Ditadura? Há Ditadura! Não se deixe iludir... "O pior cego é o que vê TV"


Há Ditadura... sim... não se pode negar, por mais que ninguém perceba, por mais que praguejem tolices sobre "Democracia" e "Liberdade"...

Dois valores imprescindíveis para espírito humano, o direito de decidir na mão de cada um - democracia - e o direito de decidir por si mesmo - liberdade...

Preciosidades que perderam seus mais profundos significados, perderam seu sentido, seus valores humanos, e se transformaram em simples produtos na vitrine mercadológica do sistema. São meros verbetes ilustrativos... nas bocas, nas ruas, nas placas; fruto da programação implacável, do poder de dominação psicológico e fisiológico sobre cada engrenagem minúscula do sistema...

Uma abominável ditadura, tão perversa que não se permite enxergar claramente, ilude com tamanha perícia que torna-se até um absurdo levantar esta hipótese. Ditadura? No Brasil? No "exemplar mundo capitalista ocidental, maior defensor da "liberdade e democracia"?

Mas, o que significa isso? Antes de blasfemarem injúrias e tolices predeterminadas, já paramos e refletimos o que será mesmo Liberdade?

Seria Liberdade se vestir de acordo com padrões alheios a você mesmo?... Imposições sabe-se lá de quem e de onde, mas que se acata com toda a subserviência de um simples cumpridor de ordens.

Seria Liberdade pensar “tudo” aquilo que é “permitido”? Rigidamente regrado pelas ‘Tradições’, ‘Dogmas’, ‘Regras da Sociedade’?

Pensamos em “tudo”?... Ou será que o condicionalmente ‘infanto-juvenil-adulto-velho-túmulo’ cuidou perfeitamente para que apenas o pueril e egoísta esteja na pauta de nossos pensamentos?

E todo o planejamento de uma vida! Que demonstração de Liberdade. Nasce, come, engole, cresce, come, engole, cresce, anda, come, engole, cresce, veste, come, engole, cresce, assiste, come, engole, cresce, aceita, come, engole, cresce, aprende, come, engole, cresce, compra, come, engole, cresce, compra, come, compra, engole, compra, cresce, compra, come, compra, compra, compra, compra, engole, compra, compra, compra, compra, cresce... decresce, decresce, decresce... volta, não adianta, não há mais nada além do anúncio da TV.
...
Que linda Liberdade.
Mas não quero essa “Liberdade” para mim.

Demo´cracia... o que é? Poder nas mãos do Demo? Do Bicho do mal, do Coisa Ruim?... Porque a primeira vez em que foi o poder do Povo, nem poder do povo era.

A democracia em seu berço grego já nasceu disforme e desigual. Uma ínfima parcela escravocrata era a dona do poder, a única considerada – povo. A massa trabalhadora, afinal, não é gente, é “tração animal” para a Roda do Progresso e Desenvolvimento.

E nossas vidas continuam, peças diminutas, alienadas, na paisagem dos Magnatas.


Em um livro de Erico Veríssimo muito bom chamado - Incidente em Antares –, que se passa na época da “histórica” e oficial Ditadura Militar (Por que, será mesmo que é história? Será mesmo que passou? Que não está lá fora, regendo nossos passos?), e no qual trata da ‘Fantástica’ narração do Incidente mais incomum já ‘noticiado’ – a volta de Sete cadáveres de seus esquifes, em protesto por não poderem ter sido enterrados, por ocasião de uma greve geral ocorrente na cidade de Antares, um Padre, cuja paróquia era a Vila Operária, sensível aos males e dores de seus irmãos, residentes na Favela local, a Babilônia (Que nome sugestivo para uma favela – nome de império, de glória – para designar a maior tristeza humana, as condições miseráveis e subumanas sob as quais vive boa parte da humanidade), quando indagado sobre o incidente, e confrontado com a possibilidade da presença, do retorno do Cristo para justificar tais ressurreições, retribui ao Delegado de Polícia presente (Conhecida figura, aluno exemplar dos tempos do Estado Novo, nas des´artes da tortura):

- Suponhamos que Jesus Cristo tenha mesmo voltado... Delegado Pigarço, não seria prudente mandar seus investigadores procurar o Filho do Homem? Olhe que esse indivíduo é perigoso... um subversivo socializante, um terrorista com antecedentes criminosos, uma ficha negríssima no DOPS de Pôncios Pilatos. Lembre-se do que ele andou dizendo e fazendo contra o grande Estabelecimento Romano...
Inocêncio (O delegado) põe-se de pé, a cara contraída. Mas o jovem Padre prossegue:
- Prenda Jesus, delegado, prenda-o o quanto antes! Interrogue-o. Faça-o confessar tudo, dizer o nome de todos os seus discípulos e cúmplices... Se ele não falar, torture-o em nome da Civilização Ocidental Cristã.

--//--

A maior hipocrisia de todo e qualquer capitalista indiferente, egoísta, perpetuador do ‘sistema de relações servis’, é se dizer Cristão. E uma grande ofensa à causa e à luta de Cristo de construir um Lar para todos os homens, igualmente, fraternalmente, livre, o verdadeiro Reino de Deus.

Não nos enganemos com a triste propaganda desses abutres corporativos, entronados em seus privilégios e em suas moradas de ossos. Não somos livres; não temos direitos, exceto aqueles insignificantes que não agridam o “direito superior que possui o capital sobre todas as coisas"; não temos liberdade de expressão, apenas a ridícula idéia de que repetir o coro é se expressar; não temos educação, apenas um conjunto de conhecimentos aplicados na criação da riqueza de poucos, quase nada que provoque o bem-estar comum, menos ainda que nos permita ser livre-pensantes; E nenhuma, absolutamente nenhuma noção de coletividade, a não ser a única “coletividade” nos dita ‘importante’ – o time de futebol – e, como se não bastasse, sobrepujando nosso inexistente sentimento comunitário, nos rasgam a carne para impingir perpetuamente a irreversível competição sanguinária.

“Realmente, vivemos muito sombrios!” Brecht

E só a grande luta de vidas inteiras, doadas, febrilmente solicitadas pela missão divina de lutar pelo outro, pode combater tudo quanto existe para combater, vencer, transformar, revolucionar. Vidas inteiras, cada gota de sangue de inúmeros indivíduos que não nascem para outra coisa que não seja ser a força da luta, o fogo da revolta, a direção para a justiça.

Não podemos desistir de lutar, pois a luta é o sentido de nossas existências, guerreiros de uma guerra que nunca deveria ser travada, de homens contra homens, homens contra sentimentos mesquinhos, egoístas e supérfluos, homens contra forças inexistentes, fruto de sua própria loucura, sua sede irracional pela fonte de sua destruição – poder como privilégio, individualismo como muralhas, trabalho como escravidão, existência como o vazio.

Libertemos-nos.
Sejamos humanos.
Ser humano.


Se Jesus Cristo voltasse, filho de uma mulher comum, casada com um trabalhador braçal comum, se tivesse conseguido ser parido, caso sua mãe não fosse espancada brutalmente por um marido bêbado, acusando-a de traição, se tivesse mesmo sobrevivido a primeira grande barreira das classes pobres, a carnívora mortalidade infantil, se ainda tivesse passado pelo cruel trabalho infantil, por ordem da inelutável sobrevivência, resistido às agruras do abandono, da mendicância, da exclusão social, e tivesse chegado à idade adulta e dito e feito o que foi sua missão dizer e fazer, seu sentido de viver, teria tido fim semelhante ao de dois mil anos atrás, feito preso e assassinado político, vítima da guerra rural, opressão sindical, ou mesmo do caos social e da violência urbana que acomete as ruas, os becos e os corredores de nossas relações sociais.
Ninguém ouviria sua voz, graças ao barulho ensurdecedor das buzinas, dos gritos, dos desesperos e das propagandas. Ninguém o notaria, pois seria só mais um fruto da miséria, um homem esfarrapado e faminto. E se alguns o seguissem, essa minoria seria brutalmente esmagada pela “incontestável verdade” de que “sempre haverá ricos e pobres, soberbos e miseráveis”. Mentira!

Lutemos. A luta do Cristo é a nossa luta, a luta do ser humano, que ainda se lembra o que é ser humano.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Liberdade, Igualdade, Fraternidade... Liberte-se.


Libertação

O luxo desses poucos
Causa a miséria de todos os outros!
A favela se multiplica
Para que essa gente seja rica!

Enquanto estivermos calados
Eles continuarão em seus carros importados;
Enquanto formos oprimidos,
Eles se esconderão em seus comprimidos...

Insurreição, libertação, redenção!
Sabotar o sistema de correntes,
Esquecer esse mundo para ser independente!
Ver o que há além da ilusão...

Desobediência!
Não se deve acatar jamais
O que for contra à nossa consciência...
Esse egoísmo, essa demência...

Libertação na igualdade fraterna.